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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 17:37

Somos uma âncora no preço da energia, diz chefe de Itaipu

O preço médio da energia hoje gira entre R$ 300 e R$ 307 [por MW]. Na usina, é de R$ 230. Então, somos uma âncora do preço médio da energia no Brasil.Em meio a um revés nas negociações do acordo entre Brasil e Paraguai envolvendo a tarifa de Itaipu Binacional, o diretor-geral da companhia, Enio Verri, diz que, independentemente do que o governo de Paraguai e Brasil venha a decidir, será a garantia de fornecimento de energia ao Brasil.

O executivo afirma que ela já é responsável não só por impedir que o preço médio do kW (quilowatt) ultrapasse o patamar de R$ 300 como por viabilizar o consumo em horários de pico, já que não dá para contar com usinas solares e eólicas. Para isso, a companhia investe R$ 5 bilhões na migração de um sistema “analógico para digital” e no reforço de suas turbinas.

O governo cogita adotar já em 2026 o preço de US$ 10 por kW [quilowatt] de Itaipu diante da demora do Paraguai em fechar os termos do chamado anexo C do acordo. O senhor participa dessas negociações?

Ela ocorre entre os países e não tenho informação sobre isso. Por enquanto, seguem valendo os termos da negociação de abril de 2024. Conseguimos uma redução de 26% no valor da energia, que ficou em US$ 16,71 por kW até dezembro de 2026. A ideia é, nesse período, que as partes se acertem e, a partir de janeiro de 2027, cada um fique livre para vender o excedente de energia a quem quiser.

O Brasil vive uma crise com sobreoferta de energia de fontes intermitentes, que, apesar de competitivas em preço, não entregam em horários de pico. Pretendem ampliar o parque de turbinas de Itaipu para ampliar a entrega de energia firme?

Não é algo que garanta retorno no momento. Essa é uma medida para dez, 20 anos. No momento, investimos na repotenciação das turbinas.

O que é isso?

É como andar de bicicleta. Se você coloca uma trava pesada [no aro das rodas], ela fica pesada; se troca por outra maior, ela anda mais rápido. Nas turbinas isso ocorre fazendo-se mais risquinhos [que permitem a passagem de mais água, fazendo-as girar mais rápido]. Isso permite que, com o mesmo equipamento, seja possível gerar mais.

Quanto investem nesse processo?

Estamos fazendo um investimento de R$ 5 bilhões na modernização tecnológica. Itaipu ainda é analógica, embora de alta qualidade, e queremos avançar para uma plataforma digital. Ao mesmo tempo, planejamos a repotenciação das turbinas.

Quanto é possível ampliar em energia firme com essa repotenciação?

Contratamos estudos e ainda não temos essa informação. De qualquer forma, Itaipu já exerce um papel fundamental na entrega firme nos horários de pico dentro da característica do aumento da oferta de energia intermitente.

Hoje, quase 40% da energia gerada no Brasil é de fontes intermitentes [eólica e solar]. Só que a partir de 16h há uma queda abrupta de produção das fotovoltaicas. Isso ocasiona uma rampa aqui em nossa usina, que garante o fornecimento nesse período.

A energia vinda dessas usinas intermitentes tomou muito mercado de Itaipu?

Há 15 anos, atingíamos 25% do consumo da energia do Brasil. Hoje, 9%. Só que somos a bateria do processo.

Estudos mostram que a quantidade de energia firme necessária em horários de pico será cada vez maior nos próximos anos.

Essa rampa ficará cada vez mais inclinada maior]. Isso implica que a produção de energia firme precisa ser ampliada. Por isso, não dá para descartar pensar na instalação de duas novas unidades geradoras em algumas décadas.

Mesmo assim, até Itaipu investe em energia intermitente. Por quê?

Queremos ser uma empresa de energia, com portfólio variado. Começamos com o biometano, produzimos hidrogênio verde e, agora, o SAF [combustível de aviação]. Estamos implantando placas solares no fio d´água do reservatório para produzir só para o consumo da usina. A ideia é liberar essa energia, de cerca de 10 MW pico [megawatt] produzida pela hidrelétrica] para o país.

Qual o impacto de Itaipu para o preço da energia no país?

O preço médio da energia hoje gira entre R$ 300 e R$ 307 [por MW]. Na usina, é de R$ 230. Então, somos uma âncora do preço médio da energia no Brasil.


RAIO-X

Enio Verri

1961, Maringá (PR) —
Economista e mestre em Economia pela UEM (Universidade Estadual de Maringá), onde lecionou, e doutor em Integração da América Latina pela USP (Universidade de São Paulo), além de especialista em Teoria Econômica pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana. Foi deputado federal e estadual pelo PT

Com Stéfanie Rigamonti


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noticia por : UOL

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