
Manifestantes caminham por Washington D.C. em protesto pela morte de George Floyd, em maio de 2020
Evan Vucci/AP
O FBI demitiu agentes que foram fotografados ajoelhando-se durante um protesto por justiça racial em Washington após a morte de George Floyd em 2020, causada por policiais de Minneapolis.
As fotos mostravam um grupo de agentes ajoelhados durante uma das manifestações após o assassinato de Floyd, em maio de 2020. A morte do jovem provocou indignação generalizada e levou, naquela época, a protestos por todo o país questionando a atuação policial e o racismo.
O número de funcionários do FBI demitidos não foi confirmado, mas duas fontes afirmaram à Associated Press que foram cerca de 20. Há alguns meses, o FBI já havia transferido esses agentes para outras funções.
O ato de ajoelhar irritou alguns membros do FBI, mas também foi entendido como uma possível tática para reduzir tensões durante o período de protestos.
A Associação dos Agentes do FBI confirmou em um comunicado na noite de sexta-feira que mais de uma dúzia de agentes foram demitidos — incluindo veteranos militares com proteções legais adicionais — e classificou a decisão como ilegal.
A entidade pediu ainda que o Congresso investigasse o caso e disse que as demissões são mais um sinal do desrespeito do diretor do FBI, Kash Patel, pelos direitos legais dos funcionários do órgão.
“Como o diretor Patel afirmou repetidamente, ninguém está acima da lei”, disse a associação. “Mas, em vez de oferecer a esses agentes um tratamento justo e o devido processo legal, Patel optou por novamente violar a lei ao ignorar seus direitos constitucionais e legais, em vez de seguir o processo exigido.”
Um porta-voz do FBI se recusou a comentar o caso.
As demissões ocorrem em meio a uma ampla “limpeza” interna no FBI, enquanto Patel trabalha para reformular a principal agência federal de aplicação da lei do país.
Cinco agentes e executivos de alto escalão foram demitidos no mês passado, em meio a uma onda de afastamentos que, segundo autoridades atuais e ex-funcionários, tem contribuído para a queda do moral interno.
Um deles, Steve Jensen, ajudou a supervisionar as investigações sobre o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos Estados Unidos. Outro, Brian Driscoll, atuou como diretor interino do FBI nos primeiros dias do governo Trump e resistiu às exigências do Departamento de Justiça para fornecer os nomes dos agentes que investigaram o 6 de janeiro.
Um terceiro, Chris Meyer, foi incorretamente apontado nas redes sociais como participante da investigação sobre a retenção de documentos sigilosos por Trump em sua propriedade de Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida. Um quarto, Walter Giardina, participou de investigações de alto perfil, como a que envolveu o ex-assessor de Trump Peter Navarro.
Uma ação judicial movida por Jensen, Driscoll e outro supervisor do FBI demitido, Spencer Evans, alega que Patel reconheceu que era “provavelmente ilegal” demitir agentes com base nos casos em que trabalharam, mas disse estar impotente para impedir a decisão porque a Casa Branca e o Departamento de Justiça estavam determinados a remover todos os agentes que investigaram Trump.
Patel negou em uma audiência no Congresso na semana passada que tenha recebido ordens da Casa Branca sobre quem deveria ser demitido e disse que qualquer pessoa dispensada não havia atendido aos padrões do FBI.
Nesta quinta-feira (25), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou formalmente o ex-diretor do FBI James Comey por falso testemunho e obstrução.
A acusação judicial é vista como mais um passo da campanha do presidente Donald Trump para retaliar pessoas que o investigaram ou criticaram durante seu mandato. Veja mais abaixo.
Governo Trump indicia criminalmente ex-diretor do FBI
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Fonte: G1



