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Cuiaba - MT / 13 de março de 2026 - 13:20

Brasileiras defendem direitos das mulheres em eventos junto à ONU

Em Nova Iorque, um grupo de mulheres brasileiras está juntando suas vozes para reivindicar mais direitos femininos em todas as esferas da sociedade incluindo em lideranças internacionais.

Reunidas em vários eventos durante a 70ª Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, em Nova Iorque, elas trazem um recado claro: o mundo não pode ser mais liderado, em sua maioria, somente por homens.

Necessidade de acolhimento

Uma dessas reuniões enfatiza ainda o reforço do combate à violência e ao feminicídio em meio a painéis temáticos e à troca de experiências sobre progressos, normas e políticas. 

Em conversa com a ONU News, a especialista em segurança feminina do Grupo Empoderadas, Érica Paes, falou da partilha de técnicas que partiu do Brasil e movem centenas de mulheres em defesa da vida de forma virtual e milhares online. 

A faixa preta em jiu-jitsu concebeu a iniciativa no Rio de Janeiro e já envolve plataformas e usuários de redes sociais visando proteger mulheres da violência no país e no planeta.

“O mundo anda muito difícil para uma mulher. Não é à toa que a gente está na 70ª Conferência da ONU, aqui em Nova Iorque. E as mulheres no mundo pedem ajuda e socorro. Precisam de ajuda e socorro nessa conferência, onde o debate é sobre a justiça. A gente tem a questão de como essa mulher pode recorrer de forma digna e ser acolhida dentro das leis de cada de cada país. Se ela é da África, se ela é do Brasil, se ela é do Japão, se é da França, se ela é dos Estados Unidos, essa mulher precisa de um acolhimento. Então, como agir?”

Preparar as potenciais vítimas

O Brasil é um dos países em que há mais violência contra mulheres no mundo. A ação de Érica Paes visa melhor preparar as potenciais vítimas com informações e técnicas de defesa diante de ameaças.

“A gente fornece essas ferramentas e a própria Meta, que é a nossa grande parceira hoje, ela corre atrás de um prejuízo muito grande em relação a crimes cometidos de forma virtual e que afetam crianças e mulheres de todo o mundo. E ela desenvolve várias ferramentas preventivas de segurança para serem colocadas em prática. E as pessoas não conhecem essas ferramentas preventivas de segurança.”

Já a ativista e ex-modelo brasileira, Luiza Brunet, descreveu várias fases da vida dela desde ter nascido no campo, em Mato Grosso, do trabalho como empregada doméstica, até se tornar modelo e empresária.

A trajetória dela foi marcada por um episódio grave de violência doméstica.

Mais alternância da liderança 

Luiza Brunet fala de um caminho contra a violência e pela igualdade no mundo em que mulheres e homens tenham mais alternância da liderança em vários campos.  

“Eu estou vendo o futuro com bons olhos. A gente tem o evento que está acontecendo agora na CSW70. Os temas são totalmente ligados às mulheres. Depois de 80 anos de um homem fazendo a gestão, vamos dizer assim, da ONU, talvez seja a possibilidade de ter no próximo comando uma mulher. E isso é muito importante, porque as mulheres sabem o que nós precisamos. Afinal de contas, somos mais mulheres no mundo do que homens. E esses espaços de poder as mulheres precisam ocupar as mulheres, ocupar espaços de poder na política, na ciência e na tecnologia, que eram lugares reservados só para os homens.”

Inspirando e motivando mulheres e crianças com a troca de informação que oriente contra a violência, Brunet pede que a sociedade civil e os indivíduos tenham maior atenção e redobrem a ajuda aos que precisam.

Possibilidade de intercâmbios

“Então, existe uma quebra de paradigma que já começou e que eu acredito que esse movimento vai se fortalecer e fortalece a sociedade como um todo. Fortalece os países. Acho que existe uma possibilidade de intercâmbios maravilhosos na tecnologia, na saúde, enfim, eu acho que é um movimento que está ganhando muito espaço e a gente está contribuindo para isso.”

De acordo com as Nações Unidas, o atual momento se caracteriza por uma crescente reação negativa aos direitos das mulheres, defendendo que em sociedades fortes mulheres contam com decisões moldando o futuro comum.

Atualmente, apenas 28 países são liderados por uma mulher e outros 101 nunca tiveram uma líder feminina.

*Eleutério Guevane é redator-sênior da ONU News.

FONTE : News.UN

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