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Cuiaba - MT / 13 de março de 2026 - 14:42

Como Érika Hilton se tornou o maior cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro

Não vou entrar no mérito da coisa. Da eleição de Érika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres (CMulher) da Câmara. Mas, a julgar pelas reações da sociedade e a julgar pela reação d[me recuso] parlamentar a essas reações, estava aqui pensando e… Acho que Flávio Bolsonaro já pode preparar o discurso e mandar fazer o terno da posse. (E antes que você se empolgue: é um exagero. Eu sei. Ainda há muita água para rolar por baixo dessa ponte).

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Em todo caso, reflitamos. Para começo de conversa, Érika Hilton se tornou presidente da CMulher e ninguém pode reclamar. Muito menos contestar. Não sem sofrer algum tipo de perseguição, inclusive judicial. Mas mesmo assim as pessoas reclamam e contestam. Sabe por quê? Porque esse fato político aparentemente menor afeta a sociedade de um jeito muito profundo. Mais profundo do que qualquer deputado do PSOL é capaz de entender. Afeta na alma. Não apenas no que consideramos certo ou errado; no que consideramos real ou imaginário.

“ImbeCIS”

Basta ver o que disse o apresentador Ratinho. Abre aspas, não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans, a Erika Hilton? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans. (…) Mulher, pra ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, fecha aspas. E como Érika Hilton reagiu a essa fala que não posso nem dizer que é óbvia e sensata sem alertar que se trata de um suposto “crime”? Acionou o Ministério Público Federal, pedindo indenização e prisão do apresentador querido pelas massas (sem trocadilho). Isso mesmo. Prisão. Por opinião.

Mais do que isso, Érika Hilton foi às redes e, num comunicado assustadoramente honesto, tão honesto que acho que el[me recuso] nem se deu conta, deixou claro que sua presença na CMulher é uma vitória pessoal. “Hoje fiz história por mim”, escreveu, depois de chamar quem critica [me recuso] parlamentar de “esgoto da sociedade” e “imbeCIS”. Para quem não entendeu esse último insulto trocadilhesco, no vocabulário da ideologia de gênero “cis” é como são chamadas as pessoas que se identificam com aquilo que veem no espelho.

Bom-senso

E como Flávio Bolsonaro pode tirar proveito eleitoral do excepcional trabalho desse cabo eleitoral improvável que é Érika Hilton? Ninguém pediu, mas vou dar o meu conselho mesmo assim: o senador e pré-candidato pode se beneficiar sem tirar sarro, sem tripudiar e sem ficar com raiva a ponto de perder a razão. Basta defender duas coisas que a esquerda parece ter esquecido: a dignidade da pessoa humana, seja ela trans ou cis, e a liberdade de expressão.

De resto, é deixar que a esquerda identitária continue dando tiros no pé, hostilizando o que eles chamam de “esgoto da sociedade” e obrigando a esquerda-velha-guarda, por uma questão de coerência política, a assumir a mesma posição de confronto com uma população que não defende necessariamente valores conservadores. Nem quer o mal dos transexuais.

Uma população que defende apenas o bom-senso. Mas se quiser chamar de senso comum, de biologia ou de óbvio ululante não tem problema. Também pode.

noticia por : Gazeta do Povo

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