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Cuiaba - MT / 30 de abril de 2026 - 1:27

Alta do petróleo e de fretes com guerra no Irã eleva custos e sustenta preços do minério, diz Vale

A alta dos preços do petróleo e dos fretes marítimos em meio à guerra no Irã está elevando os custos globais de produção de minério de ferro, ameaçando a oferta de mineradoras menos competitivas e dando suporte aos preços da commodity, afirmou o vice-presidente executivo de Comercial e Desenvolvimento da Vale, Rogério Nogueira, nesta quarta-feira (29).

Em conferência com investidores, o executivo disse que os custos médios na indústria cresceram entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada.

Segundo Nogueira, um aumento de US$ 10 por tonelada nos custos coloca a produção de cerca de 50 milhões de toneladas de minério de ferro no mundo em uma situação de geração de caixa negativo, afetando principalmente produtores marginais.

“Esse deslocamento [dos custos] para cima é, na verdade, assimétrico, com alguns players marginais na curva de custos sendo impactados em mais de US$ 10 por tonelada, o que dá algum suporte aos preços que estamos vendo hoje”, afirmou Nogueira.

O cenário, então, permitiu que os preços do minério subissem, disse o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Marcelo Bacci, a jornalistas.

“Como existe um certo equilíbrio entre a oferta e a demanda, quando o custo sobe muito, o preço acaba subindo porque o mercado precisa daquele volume e precisa incentivar que aquela produção venha“, afirmou Bacci, em entrevista coletiva após a conferência com investidores.

“Se o preço não tivesse subido US$ 10, teria 50 milhões de toneladas que estariam dando prejuízo.”

Nogueira reconheceu ainda que, por estar geograficamente mais longe da China que seus concorrentes australianos, a alta dos preços do combustível marítimo (bunker) pode deixar a Vale em desvantagem.

Entretanto, executivos da Vale explicaram que foi possível “compensar boa parte dessa desvantagem” com um programa de hedge, que oferece proteção para o preço do petróleo Brent acima de US$ 80 por barril para cerca de 70% de sua demanda de bunker em 2026, trazendo maior previsibilidade e estabilidade para a geração de caixa.

A empresa também reduziu sua exposição ao mercado spot de bunker a menos de 5% neste ano, contra entre 25% e 30% anteriormente, além de ter aumentado o nível de contratação de frete da frota de navios para quase 100%, segundo executivos.

Já em relação a operações da Vale no Oriente Médio, Bacci explicou que a produção nas plantas de pelotização de Omã foi interrompida em meados de março para manutenção anual programada. Essa parada foi antecipada em função das dificuldades da região.

“A gente resolveu antecipar alguns trabalhos de manutenção e de adaptação da planta que iriam acontecer dentro do ano, um pouco mais para frente”, disse ele, pontuando que a iniciativa não afeta a rpevisão de produção anual de pelotas.

“Ela só mudou um pouco o cronograma entre trimestres. E a gente acredita que não vai ter problema para suprir o mercado de pelotas”, afirmou, ressaltando que o pellet feed (partículas ultrafinas de minério) inicialmente destinado a Omã será redirecionado para as plantas de Tubarão, onde há capacidade ociosa.

IMPACTO NEUTRO NA OFERTA

Neste contexto, a guerra do Irã teve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro, uma vez que a produção de aço permanece estável.

“No Oriente Médio, especificamente, a produção de aço também está estável, porque eles estão mantendo a produção com base nos estoques de sucata e de pelotas. Isso ocorre apesar de uma contração na produção de aço bruto do Irã”, disse o executivo, ressaltando que a produção de aço iraniano foi interrompida.

“Mas o restante dos nossos clientes na região continua produzindo”, acrescentou.

A Vale espera ainda que o mercado de pelotas permaneça estável, considerando o saldo líquido entre oferta e demanda por pellet feed de alto teor. “Assim, no próximo trimestre, esperamos que os prêmios das pelotas fiquem estáveis ou apresentem até uma leve alta”, afirmou.

Na China, Nogueira afirmou que a produção de aço bruto está estável, de acordo com dados de institutos independentes. A utilização dos altos-fornos, segundo o executivo, está em cerca de 90%, o que a Vale considera “extremamente positivo e elevado”, disse ele.

“Ainda acreditamos e vemos a continuidade das exportações anualizadas de aço [pela China] em um nível de 100 milhões de toneladas em 2026. Infraestrutura e manufatura compensam um setor imobiliário fraco, que continua sendo, de fato, um setor desafiador para a China”, afirmou.

Fora da China, Nogueira acrescentou que a Vale vê um mercado geral estável, apesar de variações por região. “No geral, vemos equilíbrio entre oferta e demanda, e a perspectiva de preços também é equilibrada”, concluiu.

noticia por : UOL

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