Anúncio

Cuiaba - MT / 30 de abril de 2026 - 16:14

Desemprego sobe a 6,1% no Brasil no 1º trimestre

A taxa de desemprego subiu a 6,1% no Brasil no primeiro trimestre de 2026, após marcar 5,1% nos três últimos meses de 2025, que servem de base de comparação, apontam dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar da alta de 1 ponto percentual, o patamar de 6,1% é o menor para o período de janeiro a março na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012. A máxima em um primeiro trimestre ocorreu em 2021 (14,9%), na pandemia.

A Pnad também indica que a renda média do trabalho renovou o recorde de toda a série, chegando a R$ 3.722 por mês no intervalo de janeiro a março de 2026.

O valor, conforme o IBGE, é explicado pela saída do mercado de profissionais que ganham menos, incluindo parte dos informais, e pelo estímulo de medidas como o reajuste real do salário mínimo.

A taxa de desemprego ficou em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 6,1%, segundo a agência Bloomberg.

O indicador costuma aumentar no início do ano sob impacto de questões sazonais. O período tende a registrar o retorno de parte da mão de obra à busca por trabalho após o fim de vagas temporárias. Esse contexto não foi diferente em 2026, sinalizou o IBGE.

O número de desempregados foi estimado pelo instituto em 6,6 milhões de janeiro a março. O contingente cresceu 19,6% (+1,1 milhão) ante o período até dezembro, quando estava em 5,5 milhões.

O grupo, por outro lado, encolheu 13% (-987 mil) se comparado ao primeiro trimestre do ano passado, quando estava em 7,6 milhões.

As informações abrangem pessoas de 14 anos ou mais. Para ser considerado desempregado nas estatísticas oficiais, um trabalhador dessa faixa etária precisa estar sem qualquer tipo de emprego e seguir em busca de oportunidades. Não basta só não trabalhar.

A população ocupada, ou seja, que exerce alguma função formal ou informal, atingiu 102 milhões no primeiro trimestre de 2026. O número recuou 1% (-1 milhão) frente aos três meses finais de 2025.

A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, disse que a baixa ocorreu em setores que tipicamente apresentam esse comportamento.

Ela chamou a atenção para a tendência de recuo do comércio no início do ano e para o fim de contratos temporários na educação e na saúde da esfera pública municipal.

O grupamento de atividades que inclui a administração pública teve redução de 439 mil ocupados, enquanto a queda foi de 287 mil no comércio e de 148 mil nos serviços domésticos. Juntos, os três segmentos perderam cerca de 874 mil postos de trabalho.

Também houve corte de vagas em atividades como construção (-134 mil) e indústria (-122 mil).

RENDA BATE RECORDE

Ao bater o recorde de R$ 3.722 por mês, a renda média habitual de todos os trabalhos cresceu 1,6% frente ao período até dezembro e 5,5% em um ano. Os dados são calculados em termos reais, com ajuste pela inflação.

A renda média soma os recursos obtidos com o trabalho e divide essa massa pelo número de ocupados.

Como houve saída do mercado de profissionais com salários mais baixos, incluindo informais e temporários do setor público, o indicador subiu no primeiro trimestre, disse Adriana Beringuy, do IBGE.

Conforme a Pnad, o país tinha 38,1 milhões de informais na ocasião, o equivalente a 37,3% da população ocupada. O número absoluto e a taxa baixaram se comparados ao trimestre encerrado em dezembro (38,7 milhões e 37,6%).

Para Adriana, ações como o aumento do salário mínimo também podem ter contribuído de forma secundária para o novo recorde da renda. O mínimo subiu a R$ 1.621 em janeiro.

A técnica do IBGE lembrou que a Pnad investiga o rendimento recebido pelos trabalhadores, mas não analisa se o dinheiro é usado para consumo ou pagamento de dívidas.

O endividamento das famílias tem batido recordes em meio ao cenário de juros elevados. A situação preocupa o governo Lula (PT) antes das eleições de outubro.

“Esse quadro de avanço dos rendimentos tem mitigado, em parte, os efeitos do elevado endividamento das famílias. Ao mesmo tempo, impõe um desafio adicional ao Banco Central, ao sustentar a demanda e dificultar a redução das pressões inflacionárias no setor de serviços”, afirma o economista Rafael Perez, da Suno Research.

ANALISTAS AINDA VEEM FORÇA NO MERCADO DE TRABALHO

De acordo com Perez, a tendência em 2026 ainda é de um mercado de trabalho resiliente, que deve seguir como um dos principais vetores de sustentação do consumo das famílias e do PIB (Produto Interno Bruto).

“Mesmo diante da desaceleração da atividade econômica, projetamos uma queda gradual da taxa de desemprego nos próximos meses, encerrando o ano abaixo de 6%.”

Para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, a Pnad sugere que o país vive momento de estabilidade da desocupação em um patamar muito baixo para os padrões históricos.

“Mesmo que haja alguma desaceleração na criação de vagas em função da perda de ritmo da economia, o mercado de trabalho deve continuar aquecido neste ano. Nossa projeção é de que a taxa de desemprego termine 2026 pouco acima de 5%”, diz Claudia.

Uma das questões que impactam o mercado de trabalho é a mudança demográfica em curso no país.

Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação. Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego.

O mercado ainda é influenciado pela geração de vagas ligadas à tecnologia. Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou no ano passado que o trabalho em aplicativos reduzia o desemprego em 1 ponto percentual.

A taxa de desocupação já havia registrado 5,8% no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres com meses repetidos, como é o caso dos intervalos até fevereiro e até março.

TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE DESEMPREGO

O que é o desemprego?

O desemprego se refere às pessoas de 14 anos ou mais que não estão trabalhando, mas que estão disponíveis para atuar e tentam encontrar trabalho.

Para alguém ser considerado desempregado, não basta não possuir emprego. É preciso que essa pessoa também procure oportunidades de trabalho.

Como funciona a Pnad Contínua?

É o principal instrumento para monitorar a força de trabalho do país. Conforme o IBGE, sua amostra corresponde a 211 mil domicílios, em todos os estados e no DF, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2.000 entrevistadores atuam na coleta da pesquisa.

Como é medida a taxa de desemprego?

É a porcentagem das pessoas na força de trabalho que estão desempregadas. A força de trabalho é composta pelos desempregados e pelos ocupados. Os ocupados, por sua vez, são aqueles que estão trabalhando de modo formal ou informal —ou seja, com ou sem carteira assinada ou CNPJ.

O que explica o desemprego baixo?

Ele se explica principalmente por um mercado de trabalho aquecido, reflexo da atividade econômica no país nos últimos anos. Mudanças demográficas e tecnológicas também contribuem para uma taxa baixa, conforme analistas.

noticia por : UOL

LEIA MAIS