Anúncio

Cuiaba - MT / 19 de maio de 2026 - 1:07

Fonte Monumental foi a 1ª escultura pública feita por uma mulher em SP

Quem passa na praça Júlio Mesquita, na região central de São Paulo, não pode deixar de notar uma bela e grandiosa escultura com um chafariz, feita toda em mármore de Carrara, que mostra um pescador lançando sua rede cativado por três sereias.

Ela se chama Fonte Monumental e tem a peculiaridade de ter sido a primeira obra pública desse tipo feita por uma mulher na cidade. Sua autora é Nicolina Vaz de Assis Pinto do Couto (1874-1941), artista notável que esculpiu vários bustos de presidentes e de personagens da República Velha.

A Fonte Monumental é também conhecida como Fonte das Lagostas, por causa das peças de bronze que a decoravam. Ao longo do tempo, elas foram sendo furtadas e o fato rendeu a música “Roubaram a Lagosta”, de Adoniran Barbosa e Tasso Rangel, lançada em 1970. Os elementos decorativos originais que restaram foram levados para um depósito da prefeitura no bairro Canindé e substituídos por esculturas de resina.

O monumento foi inaugurado em 1927, há quase cem anos. Seu projeto, porém, foi encomendado 14 anos antes e estava previsto que ele fosse colocado na praça da Sé. Aconteceram vários acidentes de percurso, como um desentendimento entre a escultora e a empresa fornecedora do mármore e a Revolta Paulista, em 1924. Sem que se saiba o motivo, ele acabou transferido para a praça Júlio Mesquita, que então se chamava praça Vitória. Sua montagem ficou a cargo do arquiteto Giovanni Bianchi.

Algumas décadas depois de sua instalação, a escultura, que conta com duas bacias circulares, a maior com dez metros de diâmetro em sua base, entrou em um período de deterioração progressiva sem receber qualquer atenção do poder público. Para evitar a depredação ela foi cercada por grades nos anos 1980 pelo prefeito Jânio Quadros, mas isso não impediu que nas décadas seguintes ela virasse um banheiro para pessoas em situação de rua e um depósito de lixo. O monumento perdeu todo seu esplendor.

A restauração da Fonte Monumental só foi acontecer em 2013, quando houve a limpeza do mármore, reparos nas tubulações para que o chafariz voltasse a funcionar e a instalação de uma proteção de vidro. Mas isso não impediu que ela fosse alvo de mais atos de vandalismo.

Hoje está em andamento uma nova obra de restauro que se arrasta e o monumento está cercado por uma proteção de acrílico.Na sua bacia inferior, não há mais qualquer lagosta de bronze ou de resina.

Primeira escultora consagrada do Brasil, Nicolina Vaz de Assis começou seus estudos em Campinas, onde nasceu. Casou cedo, aos 15 anos, com o médico Benigno Alfredo de Assis. Aos 21 anos, ganhou uma bolsa na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e logo se destacou esculpindo bustos póstumos de bronze ou mármore. Vários deles estão no Museu da República, no Palácio do Catete.

Em 1898, realizou outro trabalho importante em São Paulo: o monumento funerário no túmulo de José Vieira Couto de Magalhães, presidente da Província de São Paulo, que morreu de sífilis. A obra, chamada “O Selvagem”, inclui a figura de uma mulher em mármore e uma placa em alto-relevo em bronze. Está no Cemitério da Consolação e é considerada a primeira escultura art nouveau da cidade.

Em 1904, Nicolina ganha uma nova bolsa para estudar na Academia Julian, em Paris, onde fica até 1907. No ano seguinte, seu marido, com quem teve sete filhos, morre. Em 1911, ela se casa com o escultor português Rodolfo Pinto do Couto, que havia conhecido na Europa. Na ocasião, ela já vinha trabalhando em obras públicas em jardins, praças e parques. Num período em que havia poucas possibilidades de inserção da mulher no universo das artes, quebrou barreiras profissionais e morais e conquistou grande prestígio.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

noticia por : UOL

LEIA MAIS