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Cuiaba - MT / 20 de maio de 2026 - 10:16

Dois foragidos reaparecem em busca de delação no Fifagate

Por mais de uma década, uma ampla operação de combate à corrupção no futebol internacional conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA abalou a entidade que governa o esporte mais popular do mundo.

Promotores federais obtiveram dezenas de condenações e recuperaram milhões de dólares no prolongado caso da Fifa. No entanto, dois dos alvos de maior destaque, pai e filho, Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, escaparam dos promotores. Eles foram acusados de pagar propinas a dirigentes de futebol latino-americanos em troca de lucrativos direitos de televisão e marketing, mas permaneceram fora do alcance porque a Argentina bloqueou as extradições desde 2016.

Parecia improvável que eles algum dia comparecessem a um tribunal americano, onde, se condenados, poderiam enfrentar uma pena máxima de anos, senão décadas, de prisão.

Mas no fim de semana, os dois embarcaram voluntariamente em um voo comercial de Buenos Aires para Nova York, acompanhados de suas mulheres. E na segunda-feira (18), Hugo Jinkis, de 81 anos, e Mariano Jinkis, 51, iniciaram negociações para um possível acordo de delação com promotores federais no Brooklyn.

As negociações não haviam sido divulgadas anteriormente. Elas foram confirmadas ao The New York Times por Francisco Castex, advogado de Mariano Jinkis.

A chegada deles marca uma reviravolta surpreendente no prolongado caso da Fifa, em que não tem faltado drama desde que veio a público com as prisões de múltiplos dirigentes da entidade que governa o futebol mundial, em Zurique, em 27 de maio de 2015.

Isso também acontece semanas antes do início da Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México, e enquanto o futebol internacional enfrenta questões persistentes sobre corrupção. Na segunda-feira, foi revelado que um denunciante havia apresentado uma queixa à Fifa alegando que dois dirigentes da Conmebol, a confederação que governa o futebol sul-americano, haviam pessoalmente se apropriado de mais de US$ 5 milhões em fundos de restituição arrecadados de réus condenados no processo criminal americano e destinados ao desenvolvimento do esporte.

Para os promotores, o comparecimento dos Jinkis oferece uma potencial vitória em um caso que ultimamente tem sido prejudicado por recursos e pelo governo Trump. Esses reveses ameaçaram reverter anos de trabalho para erradicar a corrupção generalizada que alcançou os mais altos escalões do esporte mais popular do mundo, incluindo propinas a eleitores que determinavam a sede da Copa do Mundo.

Em dezembro, o procurador-geral dos EUA, D. John Sauer, tomou a medida altamente incomum de pedir a rejeição das acusações contra outros dois réus: um ex-executivo da Fox Corp., Hernán López, e a empresa de marketing esportivo Full Play Group, de propriedade dos Jinkis. Ambos foram condenados por um júri em duas acusações relacionadas a suborno em 2023 e estavam recorrendo de suas condenações à Suprema Corte.

Desde que o governo apresentou seu pedido de arquivamento, outros quatro réus condenados no caso também solicitaram que suas acusações fossem retiradas.

Na próxima semana —exatamente no 11º aniversário das operações em Zurique— a juíza Pamela K. Chen, do Distrito Leste de Nova York, ouvirá argumentos sobre se deve arquivar as acusações contra López e a Full Play. Isso gerou preocupações de que o ambicioso caso, há muito motivo de orgulho no escritório do Brooklyn, possa ser completamente desfeito.

Não está claro por que os Jinkis concordaram em ir a Nova York agora, quase onze anos após serem indiciados, ou por que os promotores parecem dispostos a fechar um acordo favorável a eles. Mas a chegada deles vai na contramão da direção geral de um caso que, por todas as medidas, estava se encerrando. Se os foragidos concordarem em se declarar culpados, isso renderia aos promotores suas primeiras condenações desde o julgamento de 2023.

Ao longo dos anos, promotores federais obtiveram mais de 30 condenações e centenas de milhões de dólares na investigação, mas até agora não conseguiram confrontar os Jinkis, que, segundo eles, foram peças centrais em um esquema de longa duração para usar propinas na aquisição de direitos de torneios, incluindo a Copa América, um dos eventos esportivos mais proeminentes e populares do mundo.

noticia por : UOL

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