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Cuiaba - MT / 23 de maio de 2026 - 1:00

Monica Bellucci vive uma artista em crise em 'The Birthday Party', em Cannes

Pai, mãe e filha moram em uma casa isolada no campo francês, e tudo vai bem. A única pessoa próxima é a vizinha da família, Cristina, encarnada pela diva do cinema italiano Monica Bellucci. Ela é uma artista plástica isolada do mundo e que não consegue mais vender quadros.

Tudo muda, porém, quando três capangas invadem a casa da família e fazem de Cristina refém. Esse é o clima de “The Birthday Party”, thriller francês de Léa Mysius, baseado no romance homônimo de Laurent Mauvignier.

Os homens buscam Nora, a mãe. Aos poucos, numa atmosfera de tensão constante, em que os capangas vigiam e ameaçam a família, revela-se que o mais velho dos criminosos, Frank, foi marido de Nora.

Ela manteve seu passado escondido da família, mas o filme dá a entender, de forma superficial, que ela trabalhou com prostituição e tráfico de mulheres. Quando Frank foi preso, ela desapareceu, e agora ele quer vingança.

Mais interessante é a interação entre Cristina e o homem que a mantem refém enquanto tudo isso acontece. Ele claramente enfrenta algum distúrbio psicológico, e é manipulado pelo irmão. Ele desabafa sobre um futuro como artista que nunca foi possível, enquanto Cristina conta sobre como abriu mão de relações familiares para seguir sua profissão.

Apesar de “The Birthday Party” prender a atenção, é difícil entender o porquê de ter sido selecionado para concorrer à Palma de Ouro.

Já “The Dreamed Adventure”, da alemã Valeska Grisebach, também em competição, dialoga com um dos temas mais repetidos dentro e fora das telonas nesta edição do festival, a disputa de fronteiras e como conflitos podem impactar o cotidiano das pessoas.

O longa narra a jornada de Veska, uma arqueóloga que trabalha na fronteira entre Bulgária, Grécia e Turquia, conhecida pelos altos índices de criminalidade.

Veska encontra Said, um antigo conhecido, que acaba de ter seu carro roubado. Ela, então, o leva para o sítio arqueológico onde trabalha. A partir daí, os dois têm conversas relembrando os velhos tempos, que dão pistas sobre a complexa história política da região.

O ritmo do filme é lento, e o tom, contemplativo. Ainda assim, existe um conflito —Said está envolvido com gangues da região, e Veska começa uma investigação própria.

Grisebach esteve em Cannes em 2017, com “Western”, exibido fora de competição na mostra paralela Um Certo Olhar e elogiado pela crítica na época. O filme também se passava na fronteira entre Bulgária e Grécia, e acompanhava pedreiros alemães que se envolvem em vários conflitos enquanto trabalham na construção de uma usina hidrelétrica.

A diretora parece interessada em analisar com suas lentes ambientes e gêneros cinematográficos —no caso de “The Dreamed Adventure”, um thriller policial— historicamente mais masculinos.

Como em “Western”, o novo filme da alemã tem apenas não atores. Yana Radeva, que vive Veska, foi encontrada nas ruas de Sofia, na Bulgária, e contratada pela equipe do filme após algumas entrevistas. O método, Grisebach disse no passado, é uma forma de transferir em tela experiências locais reais acumuladas pelo intérprete. “The Dreamed Adventure”, afinal, fala da violência escondida na história.

noticia por : UOL

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