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Cuiaba - MT / 23 de maio de 2026 - 19:17

Onze dias após explosão, moradores do Jaguaré relatam impasse sobre moradia e hotéis

Onze dias após a explosão no Jaguaré, moradores atingidos pelo acidente afirmam continuar em impasse sobre moradia temporária, indenizações e hospedagem. Há relatos de falhas na transferência de famílias entre hotéis e falta de definição sobre aluguel provisório.

Na noite de sexta-feira (22), cerca de 60 moradores realizaram um protesto e interditaram a Avenida Presidente Altino. Eles cobraram respostas das concessionárias e do Governo de São Paulo sobre moradia, indenizações e perda de renda após o acidente, que matou duas pessoas e deixou outras três feridas.

O ato ocorreu após o empresário Edinaldo Santos Vieira Filho, 34, chegar a uma reunião entre moradores e representantes de órgãos públicos. Ele relatou problemas durante uma tentativa de transferência de hotel. Participaram da reunião representantes da Defensoria Pública, do Ministério Público, da Sabesp e da Comgás.

Morador da comunidade há 12 anos, Vieira Filho afirmou que recebeu uma ligação orientando que deixasse imediatamente o hotel onde estava com a família para seguir a outro endereço, em Osasco.

“Fiz o check-out, coloquei minhas coisas no carro, meu filho, dois cachorros e fui para o outro hotel. Quando cheguei lá, não tinha reserva no meu nome”, afirmou.

Funcionários das concessionárias pediram que ele aguardasse uma solução, mas o morador afirma que já havia famílias esperando havia horas por quartos. “A última pessoa ficou três horas esperando por um quarto. Eu estava no meu horário de serviço e não podia esperar. Se eles transferiram a gente de hotel, tinha que estar tudo certo”, disse.

Após retornar à comunidade, Vieira Filho encontrou uma reunião em andamento entre moradores e representantes dos órgãos públicos.”A promotoria não sabia dessa reunião, e eles não estavam passando nada para a promotoria nem para a defensoria”, afirmou.

O episódio aumentou a revolta entre moradores e ajudou a impulsionar o protesto realizado horas depois. “A gente está à mercê deles. Não tem como ficar morando em quarto de hotel sem saber o que vai acontecer”, disse.

Em nota, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) afirmou que a responsabilidade pela hospedagem emergencial e acomodação temporária das famílias desalojadas ficou com a Comgás. A explosão foi causada por uma obra da companhia que atingiu uma tubulação de gás no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo.

A companhia afirmou que ficou responsável pelas ações de assistência social, pagamento do auxílio emergencial e recuperação dos imóveis atingidos na comunidade.

Durante reunião realizada após a manifestação, moradores apresentaram uma série de reclamações relacionadas à falta de definições sobre aluguel temporário, apartamentos provisórios, indenizações e reconstrução das casas interditadas.

Entre os questionamentos apresentados pelas famílias estão quais seriam os critérios para reconstrução das casas destruídas, quando trabalhadores afetados pela explosão serão indenizados pela perda de renda e qual será o prazo para pagamento dos danos materiais.

As famílias também reclamam de informações desencontradas repassadas pelas concessionárias e afirmam que comunicados oficiais têm sido feitos principalmente pelas redes sociais.

Outro ponto levantado pelos moradores envolve os critérios utilizados nas interdições dos imóveis. As famílias afirmam que muitas vistorias teriam sido feitas com base em avaliações mais visuais do que técnicas.

Ana Cristina Ferreira Gomes, integrante da diretoria da ONG Força e Consciência e uma das lideranças da comunidade, afirma que dois pontos considerados urgentes foram discutidos durante a reunião com as concessionárias.

O primeiro envolve famílias hospedadas em hotéis e a promessa de encaminhamento para imóveis de aluguel temporário pagos pela Sabesp por seis meses. “O que foi acordado é que as famílias retiradas dos hotéis seriam direcionadas para casas de aluguel temporário com seis meses pagos pela Sabesp”, afirmou.

Outro ponto foi a situação de moradores que perderam renda após a explosão.

Moradores e advogados, afirma Gomes, tiveram acesso apenas durante a reunião a um plano de ação apresentado pela companhia.

A líder comunitária diz que, apesar do impasse, a Sabesp se comprometeu a apresentar em até dois dias úteis uma lista de imóveis disponíveis para aluguel temporário, para que os moradores escolham as casas.

Além disso, a companhia teria informado que apartamentos provisórios da CDHU poderão ser disponibilizados em até 20 dias, mobiliados com itens considerados essenciais.

A Sabesp declarou que “não medirá esforços para resolver a situação e garantir condições dignas a todas as famílias atingidas”. A companhia informou ainda que 798 famílias já receberam auxílio emergencial de R$ 5.000 e que 300 imóveis foram vistoriados, com ações de limpeza, reparos emergenciais e reformas em andamento.

Já a Defensoria Pública do Estado de São Paulo afirmou que atua para garantir “segurança jurídica nas soluções construídas” para as famílias atingidas.

O órgão diz que a prioridade atual é assegurar atendimento habitacional adequado e medidas emergenciais para que os moradores deixem a situação de precariedade enquanto as negociações seguem em andamento.

A Comgás, por meio de nota disse que vem trabalhando com o Governo do Estado de São Paulo e com a Sabesp para atender a todas as famílias impactadas, oferecendo hospedagens em vagas disponíveis em hotéis na região, com suporte e pensão completa e pelo tempo que for necessário. O Ministério Público não respondeu à reportagem.

noticia por : UOL

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