Uma seleção de obras emblemáticas de Tarsila do Amaral estará à venda na feira Art Basel Paris, em outubro. O recorte orquestrado pela galeria Almeida & Dale, que ainda planeja abrir um espaço na capital francesa, tem trabalhos como “Manacá”, de 1927, e “A Feira II”, de 1925 —o primeiro já foi ofertado por US$ 25 milhões, ou R$ 125,8 milhões, no braço americano do evento, a Art Basel Miami Beach, e o segundo já esteve à venda por US$ 20 milhões, ou R$ 100,6 milhões. São valores semelhantes ao que foi pago por “A Lua”, tela de 1928 vendida há sete anos por US$ 20 milhões ao Museu de Arte Moderna de Nova York, uma das maiores transações envolvendo o trabalho da artista.
No mesmo conjunto rico em trabalhos da fase áurea de Tarsila, a década de 1920, quando ela viveu em Paris, e o início da década de 1930, estão ainda “Paisagem com Ponte”, de 1931, peça avaliada por agentes do mercado em cerca de US$ 4 milhões, ou R$ 20,1 milhões, e “Fazenda da Artista”, de 1938, avaliada em cerca de US$ 2 milhões, ou R$ 10,1 milhões.
Esse acervo da artista volta a ser visto em Paris no rastro de sua aclamada mostra, há dois anos, no Musée du Luxembourg, uma das maiores retrospectivas dedicadas a ela em anos. A feira parisiense representa agora a chance de telas de grande relevância em sua trajetória entrarem para coleções europeias ainda carentes de uma representação forte da artista.
DOR E GLÓRIA Enquanto Tarsila do Amaral terá mais uma vez os holofotes voltados para sua obra num grande palco internacional, a coisa continua feia em casa. Herdeiros da artista seguem em pé de guerra pelo comando de seus direitos autorais, a maior parte deles furiosos com recentes declarações de autenticidade de suas peças que despertaram enorme desconfiança no mercado e notas de repúdio de galeristas. Eles discordam dos métodos usados por um novo perito contratado.
A VERDADE VOS LIBERTARÁ Um abaixo-assinado contra a exposição da artista argentina La Chola Poblete agora em cartaz no Museu de Arte de São Paulo já reúne cerca de 11,4 mil nomes. Eles repudiam a representação de símbolos religiosos ligados à tradição mórmon nas obras da artista, exigindo que o museu realize debates e acrescente avisos aos trabalhos que discutem a história colonial latino-americana a partir de uma perspectiva transexual. Em tempo, o deputado estadual Danilo Balas também acionou o Ministério Público paulista para que se investigue o que chamou de vilipêndio a crenças e símbolos religiosos.
Procurada, a artista não quis comentar o episódio, acrescentando que só se manifestaria caso fosse alvo de alguma ação na Justiça. Também procurados, representantes do Masp disseram que não foram notificados pelo Ministério Público e que o museu não fará qualquer alteração na montagem de sua exposição.
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noticia por : UOL




