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Cuiaba - MT / 2 de julho de 2026 - 6:17

No Canadá, futebol destrona o hóquei entre crianças e adolescentes

Desde o primeiro jogo, esta Copa do Mundo foi descrita não como um evento unificado, mas como três Copas. E não só por causa do ano de tensões de México e Canadá com os Estados Unidos. Cada país escolheu seu próprio mascote e as cidades anfitriãs não fizeram promoções com foco no continente norte-americano.

Nesta quarta-feira (1º), foi comemorado o Dia do Canadá, e a maioria dos leitores provavelmente não sabe desse feriado, que marca a unificação das três colônias britânicas —Canadá, Nova Escócia e New Brunswick— numa só nação, em 1867.

Apesar da proximidade e do mesmo colonizador, o temperamento canadense é outro, mais discreto e com humor autodepreciativo. Se bem que, depois que o presidente do lado de cá passou a chamar o Canadá de 51º estado e abriu uma guerra comercial, despertou mais orgulho patriótico entre os insultados 41 milhões do lado de lá.

A passagem da seleção canadense para as oitavas de final, sua primeira na história das Copas, provocou uma onda de entusiasmo no país conhecido por hóquei, hóquei e mais hóquei. E coincide com uma nova tendência: o futebol agora é o esporte mais popular entre crianças e adolescentes canadenses.

A aproximação da Copa foi vista com alguma desconfiança no país. Moshe Lander, um economista especializado em esportes, declarou que o torneio não passava de um sumidouro, destinado a drenar o orçamento doméstico e que não traria retorno de investimento a Toronto ou a Vancouver. Ele não acredita que turistas viajando para assistir aos jogos da Copa mais cara da história voltam em peso e, de fato, afastam turistas habituais porque o preço de hotéis e outras amenidades dispara.

E a cosmopolita Montreal, famosa por eventos esportivos e um robusto festival de jazz, esperou até 2021 para dizer “non”. A ministra do Turismo da província francófona de Quebec afirmou que, além do ceticismo geral sobre os criativos cálculos de contabilidade, a Fifa fez várias exigências excessivas, como a construção de elevadores separados nos estádios para convidados VIP da organização.

Os contribuintes estão pagando uma média de US$ 75 milhões por cada uma das 13 partidas realizadas em Toronto e Vancouver, cujas prefeituras estão rachando o custo com o governo federal. As duas cidades registraram aumento expressivo de moradores em situação de rua na última década e, em ambas, houve múltiplos incidentes de remoção agressiva dessa população.

Pouco antes da abertura, 72% dos moradores de Vancouver, a maior região metropolitana do oeste do Canadá, responderam numa pesquisa que seria melhor não sediar a Copa diante do custo e do transtorno com segurança e interrupções na rotina. Mas essa opinião não reflete desdém com o esporte.

O Canadá não tinha infraestrutura para o futebol profissional. No estádio BMO, em Toronto, que não acomodava a plateia mínima de 45 mil pessoas exigida pela Fifa, foi necessário instalar fileiras temporárias de assentos.

Ainda que o Canadá não recupere o investimento em atividade econômica ou turismo a médio prazo, comentaristas na mídia canadense têm chamado a atenção para os beneficiários desta Copa: as crianças e adolescentes que, cada vez mais preferem a grama a um rinque de gelo.


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noticia por : UOL

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