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Cuiaba - MT / 11 de julho de 2026 - 15:28

Novo avião presidencial de Trump não tem sistema antimísseis do modelo anterior, dizem autoridades

O novo Air Force One, no qual o presidente Donald Trump viajou no início desta semana para a Turquia, não tem as mesmas medidas defensivas que faziam parte dos recursos de segurança do modelo anterior, incluindo suas avançadas capacidades antimísseis, segundo diversas autoridades que receberam informações sobre o processo de adaptação da aeronave.

Especialistas afirmam que a ausência dessas capacidades no Boeing 747-8, doado pelo Qatar, cria riscos potenciais para o uso do avião em viagens internacionais —uma preocupação reforçada pela decisão repentina de Trump deixar a Turquia a bordo do antigo Air Force One, por recomendação do Serviço Secreto.

O episódio intensifica o escrutínio sobre a exigência de Trump para que o 747 doado fosse adaptado rapidamente e passasse a substituir a envelhecida frota que servia como aeronave oficial da Presidência.

Parlamentares pediram ao governo que divulgue se a reforma do avião qatariano, supervisionada pela Força Aérea ao longo do último ano, incluiu melhorias de segurança suficientes. A segurança da aeronave é considerada crucial não apenas para o presidente, mas também para a grande comitiva composta por funcionários da Casa Branca, agentes do Serviço Secreto, jornalistas e convidados que viajam a bordo.

Trump pressionou para que o novo avião entrasse em operação o mais rápido possível e com frequência reclamava que a antiga aeronave presidencial não era suficientemente impressionante para viagens internacionais.

Na quinta-feira, a Casa Branca não respondeu às perguntas específicas sobre as capacidades do novo avião, mas defendeu sua segurança.

“O novo Air Force One é uma aeronave de última geração equipada com protocolos de segurança de alto nível que garantem a proteção do presidente e de sua equipe”, escreveu em nota Steven Cheung, diretor de comunicações da Casa Branca. “Como o presidente tem dito recentemente, há muitos inimigos dos Estados Unidos que o têm como alvo, e utilizamos todas as ferramentas à nossa disposição para enfrentar essas ameaças.”

A Força Aérea se recusou a discutir detalhes sobre os sistemas de segurança do avião qatariano adaptado, que está sendo utilizado como uma aeronave “ponte” enquanto dois jatos da Boeing destinados à futura frota presidencial permanente são concluídos.

No entanto, em comunicado divulgado quando anunciou que a aeronave doada estava pronta para transportar o presidente, a Força Aérea reconheceu que o avião não tinha todos os equipamentos normalmente encontrados em um Air Force One.

“Nenhum risco foi assumido em relação à segurança, à proteção ou às comunicações da missão”, escreveu a Força Aérea em nota de 19 de junho. “Mas a equipe como um todo precisou abrir mão de alguns conjuntos de capacidades de missão menos utilizados que a Boeing deverá entregar para atender às necessidades dos próximos 40 anos.”

A Força Aérea não esclareceu o que queria dizer com “capacidades de missão menos utilizadas”.

Contudo, autoridades informadas sobre a adaptação do jato do Qatar, que falaram sob condição de anonimato para descrever seus recursos de segurança, disseram que ele não possui as mesmas capacidades defensivas do modelo anterior.

Dois ex-funcionários da Força Aérea que participaram do esforço para substituir os antigos Air Force One disseram ter ficado surpresos ao ver Trump utilizar a nova aeronave em uma viagem internacional, onde os riscos de segurança são maiores. A Turquia, onde Trump participou de uma cúpula da Otan, faz fronteira com o Irã, país que os EUA voltaram a bombardear intensamente nesta semana.

Os ex-funcionários não participaram da adaptação do avião do Qatar, mas afirmaram que a rapidez do projeto não teria permitido a implementação de todas as modificações de segurança tradicionalmente associadas a uma aeronave presidencial plenamente equipada.

“O tempo não permitiu a realização de todas as modificações normais do Air Force One, portanto alguma combinação de recursos de segurança, comunicação e suporte está ausente”, disse Frank Kendall, ex-secretário da Força Aérea que comandava a pasta quando o governo pressionava a Boeing a acelerar o contrato, já bastante atrasado, para a entrega de dois novos Air Force One.

Diante da situação com o Irã, isso pode ser preocupante”, afirmou Kendall. “Francamente, estou surpreso ao ver esse avião sendo utilizado fora dos EUA.”

Andrew P. Hunter, ex-secretário-assistente da Força Aérea responsável pelo programa Air Force One durante o governo Biden, também afirmou que uma adaptação completa de um Boeing 747 para transformá-lo em Air Force One exigiria mais de um ano de trabalho.

Na véspera da viagem de Trump à Turquia, senadores democratas enviaram uma carta à Força Aérea questionando as modificações realizadas na aeronave do Qatar e se ela havia recebido todas as melhorias de segurança necessárias.

“As próprias declarações de Trump —incluindo sua comemoração por um ‘nível de luxo que ninguém jamais viu antes’— deixam claro que essas decisões priorizaram o conforto pessoal e os gostos de Trump acima da segurança nacional dos EUA”, escreveram os parlamentares na carta enviada pelo senador Christopher Murphy, de Connecticut, e outros 12 senadores.


Tyler Pager
, Eric Lipton
, Adam Goldman
, Eric Schmidt
e Julian E. Barnes

noticia por : UOL

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