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Cuiaba - MT / 14 de julho de 2026 - 18:14

Juros sobre Capital Próprio superam dividendos no 1º semestre de 2026 e batem recorde

Pela primeira vez desde o início da série histórica iniciada em 2020, os JCP (Juros sobre Capital Próprio) superaram os dividendos na distribuição de proventos (rendimentos distribuídos) pelas empresas listadas na B3 no primeiro semestre do ano, respondendo por 54,3% do total de R$ 126,7 bilhões pagos aos acionistas.

O valor total dos proventos pagos (R$ 126,7 bilhões), entretanto, foi o menor desde 2021, tendo recuado 28% em relação ao mesmo período de 2025, após distribuições extraordinárias feitas antes da tributação dos dividendos.

As mudanças, constatadas por análise da fintech Meu Dividendo, ocorrem no primeiro ano de vigência da lei que passou a prever a incidência de 10% de IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) sobre os dividendos superiores a R$ 50 mil por mês recebidos por uma mesma pessoa física de uma mesma fonte pagadora, antes isentos.

Apesar de também serem tributados, os JCP podem ser deduzidos pelas empresas da base de cálculo do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), dentro dos limites previstos em lei.

Os proventos são valores distribuídos pelas empresas aos acionistas. Eles incluem principalmente os dividendos, que correspondem à parcela do lucro repassada aos investidores, os Juros sobre Capital Próprio, modalidade de remuneração calculada sobre o capital próprio da empresa, além de outras formas de distribuição, como bonificações e restituições de capital.

A redução do valor total dos proventos nesse primeiro semestre não indica, necessariamente, uma piora na capacidade das companhias de remunerar seus investidores. Segundo o levantamento da fintech, o primeiro semestre de 2025 foi impulsionado por distribuições extraordinárias realizadas antes da entrada em vigor da tributação sobre dividendos em 2026.

Em outras palavras, diversas companhias anteciparam para o fim do ano passado a distribuição de parte dos lucros que poderia ser feita em 2026, com o objetivo de não pagar a tributação determinada pela nova lei. Este movimento elevou excepcionalmente os pagamentos em 2025 e tornou a comparação com 2026 mais desfavorável.

No montante total, os JCP somaram R$ 68,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, enquanto os dividendos alcançaram R$ 57 bilhões. Em 2022, os Juros sobre Capital Próprio representavam apenas 24,8% do total distribuído pelas empresas.

Para a Meu Dividendo, “o crescimento persistente [dos JCP] reforça a importância do monitoramento legislativo, dado que propostas em tramitação no Congresso Nacional podem alterar ou limitar o mecanismo nos próximos exercícios”.

Apesar da retração em relação ao recorde de R$ 176 bilhões pagos via dividendos e JCP, registrado em 2025, a fintech avalia que o mercado brasileiro continua em um novo patamar de distribuição de proventos.

Conforme o levantamento, “mesmo com a queda de 28%, o volume de R$ 126,7 bilhões no primeiro semestre supera todos os primeiros semestres anteriores a 2024, confirmando que o mercado brasileiro opera num novo patamar de generosidade ao acionista”.

MAIORES PAGADORES

Entre as empresas que mais distribuíram proventos em valores absolutos estão a Petrobras, que liderou o semestre com R$ 34,1 bilhões. A Vale vem em seguida, com R$ 32,5 bilhões, seguida pelo Itaú Unibanco, que encerrou o período com R$ 8,5 bilhões após reforçar as distribuições em junho.

No critério de remuneração por ação, porém, a mineradora foi o principal destaque do semestre: distribuiu R$ 7,16 por papel, superando todas as demais empresas da B3 e quase triplicando os R$ 2,66 pagos no mesmo período de 2025.

Na avaliação da fintech, o desempenho da Vale reflete “a recuperação dos preços do minério de ferro, desempenho operacional robusto e uma política assertiva de retorno ao acionista”.

Impulsionado pelo desempenho da mineradora, o segmento de materiais básicos distribuiu R$ 36 bilhões no semestre e liderou pela primeira vez a série histórica analisada. Petróleo, gás e biocombustíveis veio na sequência, com R$ 35,4 bilhões, enquanto o setor financeiro distribuiu R$ 22,4 bilhões.

Outro destaque foi a entrada de novas empresas no grupo das que mais remuneraram investidores por ação. SmartFit e Aliansce Sonae passaram a integrar, pela primeira vez, o grupo das 12 maiores pagadoras por papel.

Segundo a Meu Dividendo, “a entrada de SmartFit e Aliansce Sonae entre os maiores pagadores por ação reflete uma maturação do mercado, onde empresas de crescimento passam a combinar expansão com distribuição de renda“.

noticia por : UOL

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