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Cuiaba - MT / 24 de julho de 2026 - 19:37

Seis vezes em que Lula defendeu Daniel Ortega, que aboliu as eleições na Nicarágua

Uma das marcas da política externa do governo Lula tem sido a postura branda adotada em relação a regimes autoritários e grupos classificados como terroristas. Ao longo do mandato, ganharam destaque a forma como o governo tratou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e o grupo terrorista Hamas. Mais recentemente, o Itamaraty divulgou uma nota afirmando estar “preocupado” com o anúncio do ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, de que o país deixará de realizar eleições. A manifestação foi publicada quatro dias após o anúncio e não trouxe qualquer condenação explícita à medida. 

A relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Daniel Ortega é anterior aos vínculos do petista com o ex-ditador venezuelano e com o Irã — principal financiador do Hamas. Ela remonta à década de 1980, antes da criação do Foro de São Paulo, em 1990, organização idealizada por Lula e pelo ex-ditador cubano Fidel Castro após a queda do Muro de Berlim e o colapso dos regimes comunistas do Leste Europeu. O objetivo declarado do fórum era reunir partidos e movimentos de esquerda da América Latina diante da nova conjuntura política internacional. 

Daniel Ortega foi eleito presidente da Nicarágua pela primeira vez em 4 de novembro de 1984, após integrar e se consolidar como principal líder da Junta de Governo de Reconstrução Nacional, que assumiu o poder com a Revolução Sandinista em 1979. Permaneceu na Presidência até 1990, quando foi derrotado por Violeta Chamorro. Depois de 16 anos na oposição, voltou ao cargo ao vencer as eleições de 2006, tomando posse em janeiro de 2007. Desde então, foi reeleito em 2011, 2016 e 2021, em pleitos marcados por denúncias de fraude, perseguição à oposição e religiosos e questionamentos de organismos internacionais sobre a falta de condições para eleições livres e competitivas. 

Ao longo de décadas de amizade com o ditador, Lula não economizou elogios a Ortega nem se furtou a defendê-lo de críticas relacionadas ao avanço do autoritarismo.  A Gazeta do Povo selecionou seis ocasiões em que o petista manifestou apoio político a Ortega, fez elogios ao líder sandinista ou saiu em sua defesa diante de críticas da comunidade internacional.