No Sudão, a deslocação forçada, a insegurança e a interrupção de serviços essenciais causadas pelo conflito armado e agravadas por cheias frequentes têm impedido o acesso de mulheres e crianças a cuidados de saúde críticos.
Em todo o país, muitas instalações seguem inativas deixando as grávidas deslocadas sem acesso seguro e regular a cuidados maternos, sublinha o Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa.
Acesso a cuidados de saúde comprometido
De janeiro a maio, combates intensos deslocaram dezenas de milhares de pessoas no Estado do Nilo Azul, na sua maioria mulheres e crianças, que procuram abrigo em campos de deslocados superlotados.
Algumas grávidas entram em trabalho de parto nos acostamentos, comprometendo a sua segurança e a do recém-nascido, conta Sa’aida, uma parteira humanitária destacada numa clínica móvel de saúde apoiada pela Unfpa, na capital do estado, Ad-Damazin.
Apesar da grande maioria das mulheres dar à luz nos campos, alguns casos precisam de ser encaminhados para o hospital, onde são acompanhadas em segurança, acrescentou a parteira.
Parteiras: um investimento essencial
O conflito armado no Sudão tem arrasado a infraestrutura de saúde do país, num contexto marcado pela escassez de recursos, medicamentos e pelo aumento dos ataques e ameaças contra profissionais de saúde.
Mulheres e crianças deslocadas pelo conflito no Sudão descansam em uma antiga escola
Face à degradação das condições sanitárias, parteiras como Sa’aida podem prestar quase todos os serviços essenciais de saúde sexual e reprodutiva, junto das comunidades mais fragilizadas, sublinha o Unfpa.
Alguns destes exemplos são a promoção do planeamento familiar, o encaminhamento de emergências obstétricas, o apoio a sobreviventes de violência baseada no género, o contributo para a vigilância de doenças e a educação para a saúde.
Salvar vidas com competências e conhecimento
O Unfpa enfatiza que o investimento nos cuidados de obstetrícia e na formação de parteiras é reconhecido como uma das formas mais bem-sucedidas e sustentáveis de melhorar a saúde materna e neonatal.
Durante as três primeiras semanas da sua colocação, as parteiras destacadas nas unidades móveis assistiram 140 nascimentos seguros e prestaram cuidados de acompanhamento a mais de 700 grávidas no Estado do Nilo Azul.
A agência da ONU confirma ainda estar a formar 30 obstetras no Estado de Cordofão do Norte, para serem destacadas em resposta às crescentes necessidades de saúde materna e reprodutiva nas zonas afetadas pela crise.
FONTE : News.UN




