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Cuiaba - MT / 17 de agosto de 2026 - 18:49

Como um caso de possível fraude acadêmica terminou em tragédia

A Universidade de Cambridge anunciou que vai revisar a forma como contrata seus professores mais graduados. A decisão veio no rastro do caso de Jason Arday, o sociólogo apresentado em 2023 como o mais jovem professor negro da história da instituição, que renunciou no início de agosto sob acusações de plágio e de ter distorcido a própria biografia. A história, infelizmente, não parou ali e terminou tragicamente. Arday foi encontrado morto na sexta-feira; a polícia não encontrou sinais de crime até aqui.

As perguntas que o caso deixou para a universidade seguem abertas, e a mais incômoda recai sobre a própria Cambridge: como uma das instituições mais rigorosas do mundo chegou a contratá-lo, e o que os seus critérios deixaram passar?

Arday chegou a Cambridge como uma aquisição de prestígio. Sua história era das mais improváveis: filho de pais ganeses, criado num conjunto habitacional no sul de Londres, ele contava ter sido diagnosticado autista, não ter falado até os 11 anos e só ter aprendido a ler e a escrever aos 18. Ele ddutorou-se, passou por Durham e Glasgow e, em 2023, aos 37 anos, foi anunciado como o mais jovem professor negro já nomeado para uma cátedra na universidade de oitocentos anos. Para uma instituição sob pressão para diversificar um corpo docente majoritariamente branco, a nomeação era ao mesmo tempo um reforço acadêmico e um símbolo.

A queda do ídolo

O símbolo começou a rachar em julho. O Telegraph publicou uma análise da tese de doutorado de Arday, defendida em 2015 na Liverpool John Moores University, e apontou mais de cem trechos idênticos ou quase idênticos a uma tese de 2009, de Paula Zwozdiak-Myers, da Universidade Brunel. O Times fez análise parecida no mesmo dia e, dias depois, apontou anomalias em artigos científicos dele. Em 1º de agosto, o Guardian, jornal de esquerda, foi além do plágio e questionou episódios que Arday contava sobre a própria vida. Ele admitiu ter cometido erros em seu trabalho, mas negou má conduta. “Por que eu mentiria?”, disse a um repórter.