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Cuiaba - MT / 24 de agosto de 2026 - 17:44

Trump não parece estar saudável, e precisamos saber o porquê

O presidente não tem aparentado estar bem. Os americanos merecem respostas para estas sete perguntas.

Os problemas cardíacos de Dick Cheney nunca foram segredo de Estado.

Fui cardiologista de Cheney por 27 anos, incluindo seus dois mandatos como vice-presidente. Durante sua passagem pela Casa Branca, ele precisou de stents, de um desfibrilador e de tratamento médico para uma arritmia e um coágulo sanguíneo na perna.

Depois que o desfibrilador foi implantado em seu peito, em 2001, ele frequentemente mostrava aos visitantes de seu gabinete na Ala Oeste um aparelho de demonstração fornecido pelo fabricante.

A franqueza de Cheney sobre sua saúde era uma anomalia entre os políticos americanos. Grover Cleveland passou por uma cirurgia secreta para tratar um câncer enquanto era presidente —a bordo de um iate, para garantir o máximo de privacidade.

Franklin Delano Roosevelt escondeu do público que usava cadeira de rodas. Antes da campanha para um quarto mandato, ele enfrentava hipertensão grave e insuficiência cardíaca congestiva, mas o público foi informado de que a saúde do presidente era “excelente sob todos os aspectos”.

O desempenho desastroso de Joe Biden em um debate levantou suspeitas de que a Casa Branca havia tentado ocultar o declínio do presidente. Durante semanas após sua hospitalização neste verão, o senador Mitch McConnell praticamente não revelou por que estava afastado do cargo.

Em junho, o presidente Trump comemorou seu 80º aniversário e, ao fim deste mandato, será a pessoa mais velha da história a ocupar a Presidência do país.

Após a avaliação médica de Trump em maio, o dr. Sean Barbabella, médico do presidente, escreveu que Trump “continua em excelente estado de saúde” e que sua “exigente agenda diária, que inclui diversas reuniões de alto nível, compromissos públicos e atividade física regular, continua contribuindo para seu bem-estar geral”.

Apesar das garantias em contrário dadas pela Casa Branca, em alguns momentos ao longo do último ano o presidente não aparentou estar bem. Não sou médico de Trump e analisei apenas os prontuários dele que foram divulgados.

Mas Trump é provavelmente o presidente mais fotografado da história americana, e vários problemas físicos são fáceis de perceber. Ele apresentou grandes hematomas nas duas mãos, inchaço nas pernas e episódios em que parece ter dificuldade para permanecer acordado.

Também passou por exames avançados de imagem por motivos pouco claros. Mais uma vez, resta ao público se perguntar se o líder do país está bem.

Apesar do poder incomparável conferido ao presidente dos Estados Unidos, não há nenhuma exigência formal para que o comandante em chefe ateste sua aptidão para o exercício do cargo. Isso é um erro.

Militares, agentes do Serviço Secreto, pilotos comerciais, motoristas de ônibus escolares e controladores de tráfego aéreo precisam demonstrar periodicamente que estão bem o suficiente para desempenhar suas funções.

A prática atual de divulgar os resultados de um exame médico anual do presidente começou no governo de Richard Nixon, mas é apenas um costume, não uma obrigação formal. E, como a história demonstrou, pode não ser confiável.

Isso não significa que todos os detalhes sobre a saúde de um presidente devam ser divulgados. É adequado preservar elementos de um histórico médico que poderiam ser explorados por um adversário.

Em 2007, quando substituímos o desfibrilador do Cheney, não divulgamos informações sobre um novo recurso sem fio do aparelho que eu considerava uma ameaça à segurança do vice-presidente. (No fim, conseguimos fazer com que o fabricante desativasse essa função.)

A 25ª Emenda à Constituição permite a melhor solução para esse problema: ela autoriza o Congresso a criar um painel externo ao Poder Executivo para avaliar a saúde e a aptidão do presidente.

Em abril deste ano, o deputado Jamie Raskin apresentou um projeto de lei para criar uma comissão do Congresso que faria exatamente isso. Idealmente, esse painel teria poderes para analisar dados de exames físicos presidenciais de rotina, bem como avaliações realizadas quando surgissem preocupações médicas.

Se uma comissão desse tipo existisse hoje, estas são algumas das questões médicas que ela poderia esclarecer a respeito da saúde do Trump. O público americano merece respostas para todas elas.

1. O relatório recente do dr. Barbabella afirma que o presidente foi avaliado por 22 consultores, um número extraordinário de especialistas até mesmo para a mais ampla avaliação médica de um alto executivo. Por que tantos médicos foram convocados e quais eram suas especialidades?

2. Trump costuma apresentar hematomas evidentes nas mãos, que a Casa Branca atribui aos frequentes apertos de mão e ao uso frequente de aspirina.

A hipótese de traumatismo causado por apertos de mão nunca pareceu plausível e não explica por que a mão esquerda do presidente muitas vezes também apresenta coloração semelhante. Além disso, por que o presidente tomaria uma dose de aspirina quatro vezes maior que a normalmente recomendada pelos médicos?

3. Um inchaço nas pernas do presidente no verão passado levou a uma avaliação médica não programada. O médico do presidente descreveu o problema como “insuficiência venosa crônica“, uma condição comum entre idosos, causada por válvulas que não se fecham adequadamente nas veias das pernas.

Em geral, ela se desenvolve gradualmente ao longo de um período prolongado. No entanto, durante o exame físico completo de Trump, realizado apenas alguns meses antes, o dr. Barbabella não registrou nenhum inchaço nas pernas do presidente.

Se isso for verdade, por definição o inchaço seria agudo, não crônico. O inchaço agudo das pernas é um achado potencialmente muito mais grave e pode ser causado por problemas como doenças cardíacas e renais. Qual é a razão dessa discrepância?

4. O presidente muitas vezes parece ter dificuldade para permanecer acordado, apresentando sinais de uma condição que os médicos chamam de sonolência diurna excessiva.

Esse problema, às vezes evidente durante eventos no Salão Oval, não foi abordado no relatório divulgado após o exame físico completo de Trump em maio. Embora o presidente seja conhecido por dormir tarde, sua sonolência parece relativamente recente.

Há várias causas possíveis para os sintomas do presidente, algumas das quais podem provocar complicações graves se não forem tratadas. A equipe médica do presidente identificou a origem desse problema? E como está lidando com ele?

5. Em outubro de 2025, Trump passou por exames avançados de imagem do coração e do abdome no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed.

O médico do presidente apresentou uma descrição vaga do motivo dos exames: “identificar precocemente eventuais problemas, confirmar o estado geral de saúde e assegurar que ele preserve, no longo prazo, sua vitalidade e capacidade funcional”. Ele disse que os exames não revelaram nenhuma anormalidade. Houve algum sintoma específico ou episódio clínico que motivou esses exames?

6. Relatórios médicos anteriores de Trump informaram que o presidente usava finasterida, medicamento que previne a queda de cabelo. O remédio não foi mencionado no relatório divulgado após o exame médico mais recente de Trump.

Questionada pelo The Washington Post sobre a ausência dessa informação, a Casa Branca respondeu: “O relatório atual apresenta todos os medicamentos considerados clinicamente relevantes para divulgação neste momento”.

Não faz nenhuma diferença significativa se o presidente toma ou não um remédio contra a queda de cabelo. A pergunta mais importante é: quais medicamentos prescritos a Trump, se houver algum, a Casa Branca decidiu não revelar ao público?

7. O presidente tem falado sobre seu bom desempenho em testes cognitivos. No entanto, o exame descrito por Trump, a Avaliação Cognitiva de Montreal, é um instrumento de triagem breve e básico, com perguntas simples —desenhar um relógio, identificar um camelo—, muitas vezes aplicado em resposta a uma preocupação do paciente ou de algum familiar.

Por que o presidente foi submetido a esse teste várias vezes? E foram realizadas avaliações neurocognitivas mais sofisticadas?

Algumas pessoas argumentariam que esses detalhes médicos pessoais vão além do que o público tem o direito de saber: afinal, o Palácio de Buckingham não revelou muitos detalhes sobre o câncer do rei Charles 3º nem sobre seu tratamento.

Mas os Estados Unidos não têm um rei. Em uma democracia representativa, o povo precisa confiar na saúde de seu líder e na capacidade dele de conduzir a nação. Fomos mantidos no escuro por tempo demais.

noticia por : UOL

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