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Cuiaba - MT / 17 de outubro de 2026 - 11:05

Avalanche entre Nepal e China deixou mais de 1.000 mortos; número de desaparecidos ultrapassa 4.000

O número de mortos nas enchentes e deslizamentos que atingiram o Himalaia na semana passada chegou a 1.066, segundo balanços provisórios atualizados nesta terça-feira (1º). Equipes de resgate continuam a procurar sobreviventes entre a lama e os escombros, enquanto o governo nepalês começou a sepultar coletivamente parte das vítimas que ainda não foi identificada devido à superlotação dos necrotérios.

Do total de mortos, 1.050 foram registrados no Nepal, segundo balanço da polícia, e 16 no lado chinês, de acordo com a imprensa estatal. Seis dias após o desastre provocado pelo colapso de uma geleira, 4.562 pessoas continuam desaparecidas —3.916 em território nepalês e 546 no Tibete.

As informações sobre mortos e desaparecidos não são centralizadas em uma única fonte e são divulgadas separadamente pelas autoridades e pela imprensa de cada lado da fronteira.

No Nepal, as buscas se concentram em vários túneis onde poderiam estar centenas de operários que trabalham na construção de represas. Com explosivos, equipamentos de perfuração e escavadeiras, os socorristas conseguiram abrir caminho em alguns deles, mas até agora retiraram apenas alguns corpos.

Especialistas da Índia, da China e da Coreia do Sul se juntaram às equipes nepalesas. No distrito de Nuwakot, ao longo do vale atingido pela avalanche, os socorristas também removem escombros de vilarejos soterrados pela lama.

No lado chinês, mais de 2.000 socorristas participam das operações de busca e da tentativa de restabelecer as comunicações nas áreas atingidas, segundo a agência de notícias Xinhua. Os esforços se concentram na reabertura da estrada que leva ao posto fronteiriço entre China e Nepal, em Gyirong. Socorristas, autoridades e moradores fizeram um minuto de silêncio em memória das vítimas, de acordo com a Xinhua.

Ativistas tibetanos e grupos de direitos humanos acusam a China de subdimensionar deliberadamente o número de mortos no território sob seu controle. Pequim classificou as acusações como uma “campanha maliciosa de difamação e sensacionalismo”.

A Tibet Radio, sediada no exílio na Índia, afirmou ter reunido informações sobre cerca de 25 mortos na região. Segundo tibetanos exilados no país vizinho, que mantêm contato com familiares da região de Gyirong, uma das mais afetadas, cinco vilarejos foram atingidos.

O Tibete é uma região étnico-cultural que se desenvolveu de forma distinta da China e cuja relação com Pequim é alvo de disputa histórica. Governado por diferentes dinastias chinesas, tornou-se vassalo da China no século 18, mas deixou de ser controlado na prática por Pequim após a queda da dinastia Qing, em 1912.

Em 1951, o Partido Comunista Chinês incorporou a região à China, argumentando, entre outras razões, a existência de uma estrutura feudal com servidão camponesa. O dalai lama Tenzin Gyatso fugiu para a Índia e passou a defender maior autonomia para o Tibete. Desde então, Pequim promove políticas de assimilação cultural e reprime movimentos religiosos e políticos tibetanos.

Na Índia, autoridades do estado de Uttar Pradesh informaram ter recuperado 17 corpos em um rio a algumas dezenas de quilômetros do local da catástrofe. A identificação das vítimas foi iniciada.

Entre os mais de 4.000 desaparecidos, há centenas de turistas, peregrinos e trabalhadores estrangeiros: 583 no Nepal, de mais de 30 países, e 261 na China, de 23 países. Somente no Nepal, 639 trabalhadores de usinas hidrelétricas ou de obras de barragens estão desaparecidos.

Em Katmandu, famílias procuram informações sobre parentes desaparecidos e afixam fotografias em um muro do hospital universitário, uma das últimas esperanças de saber o que aconteceu com eles.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que a enchente repentina “não foi um evento comum”, e sim provocada pelas mudanças climáticas. Ele exigiu medidas internacionais. O desastre, atribuído ao colapso de uma geleira, devastou várias áreas habitadas.

noticia por : UOL

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