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Cuiaba - MT / 16 de julho de 2026 - 19:37

Adeus aos aplicativos? Mulheres voltam ao offline para encontrar parceiros

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O Tinder chegou ao Brasil em julho de 2013, há 13 anos. Antes do aplicativo de namoro pensado para smartphones, a paquera virtual se dava por sites de operação parecida, mas achar uma cara-metade era uma atividade principalmente offline.

Alguns levantamentos mostram que mais da metade dos brasileiros já usaram aplicativos de namoro em algum momento. Mas, mesmo que essas plataformas ofereçam praticidade, alguns preferem o flerte presencial, sem o auxílio de tecnologia.

Isso porque, às vezes, as plataformas podem ser mais instrumento de vaidade que um facilitador para conhecer novas pessoas. “Os aplicativos muitas vezes têm uma finalidade: as pessoas acumulam ‘matches’ e curtidas, mas não necessariamente vão ao encontro presencial”, diz o psicólogo Douglas Kawaguchi, professor de psicologia da Faculdade Sírio‑Libanês, em uma reportagem de Tatiana Cavalcanti.

A reportagem fala, ainda, que o uso de aplicativos de relacionamento diminui conforme a faixa etária. De acordo com um estudo do Pew Research Center, enquanto 53% dos adultos com menos de 30 anos já tinham usado essas plataformas, o índice era de 37% na faixa de 30 a 49 anos; de 20% entre 50 e 64 anos; e de 13% entre aqueles com 65 anos ou mais.

Para mulheres, o encontro por aplicativos pode ter problemas de segurança. Uma pesquisa do Pew Research Center de 2020 mostra que das mulheres com idades entre 18 e 34 anos que utilizam essas plataformas, 57% disseram ter recebido mensagens ou imagens sexualmente explícitas que não haviam pedido.

A mudança do digital para o analógico não é o único elemento retrô que volta a aparecer no mundo da paquera.

Uma reportagem da BBC News mostra que há “um ecossistema de influenciadoras, fóruns, podcasts e conselhos que convida as mulheres a repensarem o amor —despojando-o de quaisquer ilusões românticas— e a transformarem a forma como abordam os relacionamentos”.

Esse movimento, que muitas apelidam de “tomar a pílula rosa”, em referência à pílula vermelha do filme “Matrix”, prega uma volta a concepções ultrapassadas da “mulher de valor”. Isto é, nada de beijos apaixonados no primeiro encontro, nem de sexo sem compromisso. Há a expectativa de que o homem seja um cavalheiro, e que ele tome a iniciativa. Para elas, resta resistir.

Impera a ideia da “mulher de alto valor”, “que, após avaliar friamente seu próprio capital estético, social e psicológico, conhece seu valor e não se deixa explorar pelo mercado de encontros”. A ideia é encontrar “homens de alto valor”, caracterizados como provedores e responsáveis.

É uma mistura de feminismo e autoestima com compreensões estáticas, paradas nos anos 1960, dos papéis de gênero.


Um livro para ler

Hoje a dupla doença e cura são associadas a médicos, hospitais e remédios. Mas nem sempre foi assim. O livro “Bruxas, Parteiras e Enfermeiras: uma História de Mulheres que Curam”, lançado originalmente em 1973 nos Estados Unidos e traduzido para o português neste ano, mostra que até os anos 1960 as práticas de saúde eram fortemente associadas à ideologia e religião.

É essa história que as pesquisadoras Deirdre English e Barbara Ehrenreich resgatam no livro, lançado pela Editora Elefante, a mesma por trás da tradução da obra da feminista italiana Silvia Federici.

Em uma entrevista à repórter Ana Botallo, English afirma que a intenção do livro não foi assumir uma postura anticientífica, mas aliar os conhecimentos tradicionais à ciência moderna. Nisso, entra também uma questão de gênero.

“As parteiras eram autoridades em suas comunidades, compartilhando conhecimento entre si, o que demonstrava independência e força feminina. E a classe médica suprimiu isso. Isso reflete também, em parte, na exclusão histórica das mulheres das produções científicas na medicina”, disse.

noticia por : UOL

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