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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 3:36

As gringas descobriram o molho dos brasileiros

Ai, que delícia o verão, já diria Marina Sena. Enquanto tem brasileira que sonha com coreano de dorama e ainda topa reality para “casar”, as gringas descobriram o molho do brasileiro e estão fazendo micareta de beijo nas noites cariocas. E como hoje toda experiência só fica completa quando vira conteúdo, há dezenas de vídeos nas redes: jovens com a cara sapecada de sol e de felicidade.

Para elas, parece novidade essa sociabilidade brasileira que não exige aplicativo, bio em inglês e três dias de conversa. Basta uma secada —com consentimento, claro. O enredo se repete em vários idiomas: elas são alemãs, francesas, americanas, argentinas, australianas, mas a língua oficial mesmo é a do beijo.

Uma delas fez tutorial da marotagem: se os olhares e os sorrisos se cruzarem e se sustentarem por uns cinco segundos, é correr para o abraço. “Quatro numa noite”, contou, orgulhosa, uma falante de inglês. A coisa pode ficar só aí. Todo mundo com a mesma cara de “como assim pode ser tão simples deixar um sujeito desconhecido enfiar a língua na minha boca, lamber os meus sisos e eu ainda gostar?”.

Pura diversão, sem expectativas futuras ou planejamento familiar. É para guardar nas lembranças das férias, não na contabilidade emocional.

A dinâmica da micareta, que a gente associa ao carnaval baiano e aos dias em que a humanidade aceita o glitter como estado civil, se espalhou por pontos como a Pedra do Sal e bailes em comunidades da zona sul do Rio. Música, bebida, gente jovem e suada. Credo, que delícia.

Claro que as postagens na internet vieram com o puxão de orelha de mãe: “vocês vão ser assaltadas”, “é perigoso”, “voltem para o hotel”. Ter cautela é obrigatório, mas isso em qualquer lugar do mundo. Digo de carteirinha: já viajei muito sozinha, solteira, com o colágeno tinindo e os hormônios em ebulição. Cuidados básicos valem em qualquer latitude, o que não inclui cair em discursos alarmistas ou se privar de experiências. Assumir riscos é coisa da vida, da juventude.

Aí veio outra crítica, mais moralista, com verniz de indignação: “isso é turismo sexual”. Coitados desses moços cariocas, seduzidos pela malandragem imperialista, colonizados por um passaporte e um remelexo desengonçado. Calma. O rótulo correto, quando existe, é outra coisa: uma engrenagem feia de desigualdade, exploração, coerção e abuso e, em muitos casos, violência e envolvimento de menores de idade. É relação de poder, miséria que vira mercadoria, gente vulnerável tratada como “atração local”. O que rola ali é azaração consentida, não tem nada de errado num beijo na boca entre adultos que se acharam bonitos e decidiram se engalfinhar.

E olha que coisa boa: a tal “atitude” masculina, comportamento em extinção no mercado afetivo decadente, virou tendência no nosso verão. Férias sempre foram esse intervalo em que a vida afrouxa o nó e a gente se permite relações efêmeras, encontros que duram uma noite. Todo mundo se querendo, sem muitas exigências. Um produto made in Brazil que merecia ser engarrafado e distribuído em tempos de recessão.

Antes que alguém diga que as gringas estão sendo exploradas quando parecem pleníssimas, vale lembrar: esse pensamento é datado e machista, de quando mulheres eram tratadas como criaturas sem vontade própria, que precisavam ser protegidas dos próprios desejos.

Felizmente, não precisei esperar mais uma onda do feminismo para entender o valor da liberdade sexual. Eu tinha um lema antes de virar uma senhora casada e ter meus hormônios domados pela menopausa: “não tenho tipo, tenho pressa”. De viver, de rir, de errar, de aprender, de beijar na boca. Já ouvi muito “fulano está se aproveitando de você e não quer nada sério”, e pensava: “tomara.”

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noticia por : UOL

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