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Cuiaba - MT / 6 de março de 2026 - 3:35

Bolsonaro é frouxo, e isso o Brasil não perdoa

Gostaria de parabenizar a equipe que cuida das redes sociais do presidente Lula. Toda vez que o algoritmo me oferece as coxas do Lula na academia ou o seu fôlego jovial correndo e subindo rampas, eu me lembro da última campanha do Boulos e penso: evoluímos muito.

Na tentativa de convencer abastados estúpidos de que Boulos não invadiria seus closets de porcelanato cimentício acetinado, tentaram transformar o aguerrido barbudo dos movimentos sociais em garoto-propaganda fofo de café hipster da Vila Buarque. Não serviu para nada e ainda foi sofrido de assistir.

O brasileiro de esquerda tem algo em comum com o brasileiro de direita, e todos têm uma similaridade importante com o brasileiro que se diz de centro e com o brasileiro que nem se diz nada porque é só alienado mesmo: a gente tem raiva de frouxo. Meu tio Carlinhos, por exemplo, é bolsonarista raiz. A única vez que ele teve dúvidas sobre Bolsonaro não foi quando milhares de pessoas morreram de Covid por falta de vacina ou quando o ex-presidente disse dormir ao lado da biografia de um militar que chamava crianças para verem seus pais sendo torturados, muito menos quando ficou bem claro que o inelegível liderou uma organização criminosa.

A única vez que Carlinhos repensou sua corte a um fascista golpista foi quando Michelle Bolsonaro disse que dentro de casa o marido não tinha a mesma energia que tinha nas ruas. Daí titio deprimiu seriamente: “Será que o presidente anda broxa?”. Imperdoável.

Quando Bolsonaro chorou histericamente trancado no banheiro, ao perder as eleições em 2022, eu pensei, com um contentamento descomunal, que ele estava perdendo 2026 também. Eu sei que aquilo machucou mais os corações dos adeptos da destruição da humanidade do que a derrota em si. Daí o cara fugiu do país enquanto asseclas golpistas depredaram a praça dos Três Poderes, alguns se utilizando de armas poderosíssimas como déficit cognitivo, maquiagem e resíduos psicóticos absolutistas pós-visita a um castelo de princesa na Disney. Daí o cara começou a vender relógio pra pagar conta de rodízio pra filho que nem gosta dele! E isso era só o começo de derrocada mais vexatória da história do Planalto.

Brasileiro evangélico gosta de pastor que grita “eu venci, eu posso, eu quero”. Quem vai respeitar o tadinho e o esquecido de Deus? Bolsonaro é o cara que perdeu seu indiscreto charme populista para um sujeito cuja face lembra, além de areia mijada, nada mais. Ninguém sabe quem é o governador de São Paulo. Bolsonaro é o cara que deixou seu filho boca-suja entregar as eleições de 2026 de bandeja pra esquerda.

Lula é o cara que saiu da cadeia mais forte, mais apaixonado, mais vitorioso e mais um grande malhador de coxas. Hoje na banca vi sua face altiva na capa do The New York Times, estampando a frase “Ninguém está desafiando Trump como Lula”, e ao lado estava a revista The Economist, também elogiosa à postura inabalável de um líder político: “uma lição de democracia”.

Lula é o cara que passou fome na infância e tirou o Brasil do mapa da fome duas vezes. Bolsonaro é o cara que riu de quem sufocava de insuficiência pulmonar e agora quer se internar por crise de soluço. Para o bolsonarismo, pior do que um líder preso na Papuda é um líder com espasmos no diafragma causado por uma condição de saúde muito comum chamada “cagaço”. Bolsonaro é frouxo, e isso o Brasil não perdoa.


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noticia por : UOL

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