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Cuiaba - MT / 6 de março de 2026 - 22:50

Brasil é o 96º colocado em novo ranking que mede a liberdade dos países

Sair do país em busca de ambientes mais favoráveis, com mais liberdade e qualidade de vida, tem sido uma decisão frequente entre empresas e pessoas no Brasil. Este movimento, que tem como principal reflexo a fuga de capital, está ligado às incertezas políticas e econômicas do país, mas também faz parte de uma tendência mais ampla: o do chamado capitalismo nômade.

Agora, um novo ranking listou os países mais atrativos para quem busca investir ou viver fora. É o Índice de Liberdade, produzido pela consultoria especializada Nomad Capitalism.

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De acordo com o estudo, que leva em conta cinco critérios principais, o Brasil está no meio da tabela. Dos pouco mais de 200 locais avaliados – a consultoria também avaliou estados dos EUA – o país ficou na posição de número 101. Quando se leva em conta apenas os países, o Brasil aparece em 96º lugar.

A nota do Brasil é melhor que a maioria dos vizinhos sul-americanos – à exceção do Paraguai, Chile e Uruguai – mas ainda longe de Estados onde as liberdades pessoal e econômica são sólidas, como Mônaco, que lidera o ranking empatado com as Ilhas Maurício, e Suíça, que obteve a mesma nota de Portugal.

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Ranking de Liberdade não tem relação com política, diz criador

De acordo com Andrew Henderson, fundador da consultoria, o Índice de Liberdade não tem relação com teoria política, e sim com a aplicação prática dos conceitos de liberdade. “Trata-se de onde você pode criar uma família sem o Estado interferir na educação de seus filhos. Onde é possível crescer financeiramente e proteger seu patrimônio sem ser penalizado pelo seu sucesso, onde há liberdade para viver bem sem comprometer seus valores”, detalhou, no estudo.

Para tanto, a Nomad estabeleceu alguns critérios de pontuação. A liberdade financeira corresponde a 30% da nota final de cada um dos avaliados, e busca medir a facilidade de ganhar, movimentar e proteger a riqueza. Pontuações altas indicam ambientes com impostos baixos ou até mesmo zero tributação, mobilidade total e regras favoráveis ao investidor, como no caso do Panamá.

A proteção aos ativos responde por 25% da nota final, e reflete a eficácia da jurisdição em proteger a riqueza, considerando confiabilidade legal, sigilo e proteção contra expropriação, entre outros. As maiores notas foram atribuídas a locais onde há uma Justiça forte, respeito à privacidade e estruturas confiáveis, como em Cingapura.

Os direitos humanos têm peso de 20% na pontuação, e são avaliados na medida em que o país avaliado salvaguarda as liberdades civis fundamentais e o respeito à dignidade humana, abrangendo liberdade de expressão, movimento, autonomia, agência econômica e consistência do estado de direito. Um bom exemplo citado pela Nomad neste quesito é a Noruega.

Para a nota em segurança, que corresponde a 15% da nota final, a consultoria levou em conta dados presentes em relatórios internacionais de crimes, índices de paz, estabilidade política e infraestrutura de emergência. Jurisdições consideradas de alta segurança, como a Irlanda, receberam destaque nesta avaliação.

Por fim, os últimos 10% da nota do índice dizem respeito à qualidade de vida. Este item busca medir o quão bom o país é em propiciar assistência em saúde, educação, lazer, entre outros pontos. Longe de ser uma surpresa, a Suíça é mostrada como um exemplo.

Como o Brasil aparece no Índice de Liberdade?

E onde o Brasil se encaixa nestes quesitos? Nossa melhor nota foi atribuída pela Nomad aos Direitos Humanos, o que nos coloca à frente de países como o Japão, Espanha e o Reino Unido, quando o foco é apenas neste pilar. Para a consultoria, no Brasil os direitos humanos são “plenamente respeitados, além de outras garantias asseguradas”.

Em relação à Liberdade Financeira, a Nomad situou o Brasil em uma posição intermediária. Para a consultoria, há no país uma alta tributação e burocracia, reforçando restrições consideráveis para o gerenciamento de riqueza. A nota neste quesito foi a mesma obtida pela Argentina, mas deixou o Brasil atrás do Paraguai – que aqui obteve nota máxima – e de países como a Namíbia e Belarus.

Também foi intermediária a avaliação da consultoria em relação à Qualidade de Vida no Brasil. Apesar de ter pontos fortes em áreas como alimentação ou clima, foram identificadas deficiências em serviços como saúde e educação. Aqui o Brasil empata com o Paraguai, mas perde para países como Turquia e Kuwait.

Uma das piores notas do Brasil no índice foi atribuída à proteção de ativos. Para a Nomad, isso é indício de que as ferramentas de proteção da riqueza no país são limitadas. Além disso, a aplicação das leis locais pode ser politizada, com pouca privacidade e um risco elevado de expropriação. Neste quesito o Brasil foi avaliado no mesmo nível de Bangladesh e Venezuela, nos deixando atrás de Ruanda e Uzbequistão, por exemplo.

A nota final, em Segurança, também foi abaixo da média. Com isso, a consultoria mostrou que há no Brasil o que a Nomad chamou de “inquietação moderada” simbolizada por um “policiamento pouco confiável”. A pontuação foi menor ou igual à de locais que passam ou passaram por guerras e cenários de conflito, como Ucrânia, Kosovo e Timor Leste.

Veja as notas dos cinco países mais bem colocados no índice em comparação com o Brasil:

País Liberdade Financeira Proteção de Ativos Direitos Humanos Segurança Qualidade de Vida Nota Total Posição
Mônaco 50 40 50 50 50 47,5
Ilhas Maurício 50 50 50 40 40 47,5
Suíça 40 50 50 50 50 47
Portugal 40 50 50 50 50 47
Irlanda 50 40 50 50 40 46,5
Brasil 30 20 50 20 30 30 101º

Cada quesito foi avaliado com notas entre 10 e 50. Fonte: Nomad Capitalism

noticia por : Gazeta do Povo

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