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Cuiaba - MT / 5 de março de 2026 - 23:19

Com apenas 26% de mulheres, setor de jornalismo segue dominado por homens

As mulheres representam metade da população mundial, mas apenas um quarto delas é visto em noticiários jornalísticos. A estatística mudou quase nada nos últimos 15 anos.

Nas últimas três décadas, desde que governos de todo o mundo prometeram promover mais autonomia feminina em todos os setores, durante a Conferência global sobre Mulheres em Pequim, na China, o crescimento foi de apenas 9%.

Mulheres mais jovens não se veem na tela

Os dados constam do estudo Projeto de Monitoramento da Mídia Global, Gmmp na sigla em inglês, que é apoiado pela ONU Mulheres, a agência da ONU que se ocupa do tema da igualdade de gêneros.

A pesquisa indica que 26% das vozes e rostos em noticiários são de mulheres. O domínio e liderança do setor de jornalismo permanecem nas mãos dos homens.

O levantamento é o maior e mais antigo sobre representação na mídia.

A falta de representação é mais crítica para mulheres e meninas jovens que não se se veem nesses canais de notícias.

Matérias sobre violência são minoria

Um outro dado alarmante é a violência de gênero, que afeta metade da população mundial, mas não aparece com a mesma frequência no ar de TVs, rádios e imprensa escrita.  Em cada 100 notícias, menos de duas cobrem o abuso sofrido pelas mulheres e não desafiam estereótipos que confirmam a atitude tendenciosa e de barreiras à igualdade de gênero.

O estudo revela ainda que o jornalismo que combate estereótipos de gênero está em seu nível mais baixo em três décadas.

Uma visão dos jornalistas que esperam por uma conferência de imprensa na Sede da ONU

Uma visão dos jornalistas que esperam por uma conferência de imprensa na Sede da ONU

A vice-diretora-executiva da ONU Mulheres, Kirsi Madi, afirma que “os canais de mídia e imprensa devem refletir a realidade e são essenciais para a democracia e um mundo justo e equitativo para todas as meninas e mulheres.”

Segundo ela, o estudo é um abrir de olhos e um chamamento à ação. A vice-chefe da ONU Mulheres afirma que é preciso haver uma reflexão radical.

Não existe democracia sem mulheres

Sem a voz das mulheres no ar, jamais poderá haver democracia, segurança duradoura e um futuro compartilhado. A história completa não pode ser contada sem as mulheres, diz Madi.

O relatório indica que apesar de um quadro sombrio, houve alguns progressos. Cerca de 41% de repórteres em artigos de notícias da mídia tradicional são mulheres. Isso representa uma melhoria de 28% desde 1995.

Isso é importante porque as jornalistas estão mais inclinadas que os homens a incluir mulheres em suas matérias.

O documento reafirma que as vozes de autoridade na mídia seguem sendo predominantemente masculinas.

Jornalismo de homens especialistas

As mulheres aparecem como testemunhas de relatos pessoais e não como especialistas em temas apesar de serem qualificadas para falar.

As conclusões de 2025 chegam em um momento marcante para a igualdade de gênero, com o mundo entrando nos últimos cinco anos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e marcando Pequim+30 na 80ª Assembleia Geral da ONU.

As conclusões ressaltam que o progresso está estagnado e chegou a hora de se prestar contas por isso.

Para a ONU Mulheres, quem deve responder pela baixa presença de mulheres na mídia são governos, editores, legisladores e plataformas de notícias.

Mais informações em inglês sobre o estudo: summary of key findings

FONTE : News.UN

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