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Cuiaba - MT / 9 de março de 2026 - 7:47

Com PM que mata e vala de rivais, PT-BA age como bolsonaristas que critica

A Bahia é o sonho de muitos bolsonaristas que acreditam na letalidade policial como razão de existência de um Estado. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um em cada quatro mortes por intervenção de agentes de segurança no país ocorreu na Bahia. Ou seja, 25% dos óbitos, mas apenas 7% da população.

Líderes políticos, sociais ou religiosos afirmam que nunca incitam a violência direta através de suas palavras. Suas mãos não seguram a faca ou o revólver, mas é a sobreposição de seus argumentos e a escolha que fazem das palavras ao longo do tempo que distorcem a visão de mundo de seus seguidores e tornam o ato de esfaquear e atirar banal. Ou, melhor dizendo, “necessário”.

Suas ações e regras redefinem, lentamente, o que é ética e esteticamente aceitável, visão que depois será consumida e praticada por terceiros. Estes acreditarão estarem fazendo o certo, quase em uma missão civilizatória ou divina.

Vivemos em um país que presenciou, recentemente, a morte de Marielle Franco, a tentativa de assassinato de Bolsonaro e tiros contra a caravana de Lula em 2018. Brasileiros mataram brasileiros por discussão eleitoral, em 2022, como o bolsonarista Jorge Guaranho que invadiu a festa de aniversário do petista Marcelo Arruda e o executou em Foz do Iguaçu.

Qualquer marmota que estuda ultrapolarização sabe que um dos mecanismos mais eficazes de reduzir a violência é seguidores verem seus líderes escolherem melhor as palavras para se referir a seus adversários. E Jerônimo Rodrigues foi na contramão disso.

O ex-presidente, com toda a razão, reclamou que esse tipo de discurso, vindo de uma autoridade pública, normaliza a violência política e física contra quem pensa diferente. Mas qualquer semovente sabe que Bolsonaro tem pós-doutorado em declarações do naipe da proferida por Rodrigues. Ou seja, o petista, ainda por cima, deu a ele um presentão, colocando-o no papel de vítima.

noticia por : UOL

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