Logo após o vazamento do vídeo de Moraes desembarcando do avião, Flávio ignorou que suas próprias pegadas ainda estavam no carpete da cabine e foi às redes sociais atacar o ministro. Após a reportagem da piauí, não há notícia de que o bolsonarisno pediu impeachment de Flávio.
A grande diferença entre eles é que temos as mensagens que Vorcaro mandou para Moraes pedindo até ajuda para fugir do Brasil, mas não as respostas do ministro, que foram apagadas. Já os áudios enviados de Flávio para o banqueiro e as respostas estão aí sendo reproduzidos nos melhores tocadores da internet. Neles, o senador cobrava insistentemente Vorcaro (a quem chamava de “irmão”) pela liberação dos mais de R$ 130 milhões.
A justificativa oficial era bancar a cinebiografia “Dark Horse”, com Jim Caviezel de peruca ruim interpretando Jair, mas a Polícia Federal analisa se o dinheiro foi desviado para bancar as ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos enquanto ele conspirava contra os interesses brasileiros. Por conta disso, aliás, o senador é formalmente investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Os laços de Flávio com o clã Vorcaro, aliás, estão presentes até o uso de um apartamento de luxo de 158 m² na nobre Vila Nova Conceição, em São Paulo, como base estratégica e de gravação eleitoral. O imóvel pertencia a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro de Vorcaro, e foi vendido de forma absolutamente suspeita, com um deságio de R$ 2 milhões, para Willer Tomaz. Este, além de amigo íntimo do senador, era sócio do jatinho e acompanhou o senador no voo. Zettel doou R$ 3 milhões para a campanha de Jair em 2022, sendo o seu maior doador individual.
Se a relação de Moraes com o banqueiro exige, com justiça, explicações sob os holofotes públicos, a de Flávio também deveria. Afinal, está claro que Vorcaro comprava com luxos e grana favores futuros para ele e seus negócios.
Contudo, os seguidores do senador insistem em enxergar o mundo com a mesma seletividade com a qual as mensagens eram vazadas do inquérito sob responsabilidade do ministro André Mendonça. Na visão deles, se o mimo cai no colo do magistrado inimigo, trata-se da prova irrefutável de que a República apodreceu e as instituições falharam. Mas se a mesmíssima coisa aterrissa no do primogênito do clã, não passa de um inofensivo Uber aéreo entre “irmãos” e um patrocínio com grana privada para o filme do papis — por mais que seja um insulto chamar de privada a grana de Vorcaro, que mamou fundos de previdência de servidores.
noticia por : UOL




