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Cuiaba - MT / 29 de maio de 2026 - 14:16

Drone russo fere 2 na Romênia, membro da Otan

O governo da Romênia afirmou que um drone russo atingiu na madrugada desta sexta-feira (29) um prédio no país, membro da aliança militar Otan, deixando dois feridos. É o mais sério incidente do tipo no vizinho da Ucrânia desde o início da guerra iniciada por Moscou, em 2022.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse a repórteres que havia sido informado acerca do episódio e questionou se o o armamento era de suas forças, sugerindo que o avião-robô poderia ser de Kiev. “Drones ucranianos voaram para Polônia e Estados Bálticos antes, eu acho que é a mesma situação”, disse.

“O comportamento irresponsável da Rússia é um perigo para todos nós. Esta noite mostrou novamente que as implicações de sua guerra ilegal de agressão não param na fronteira”, afirmou o secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte. Ele disse que a aliança irá defender o território de seus integrantes.

O incidente ocorreu em Galati, cidade de quase 300 mil habitantes que fica a cerca de 20 km da fronteira ucraniana. Um drone suicida Gerânio-2, versão russa do famoso iraniano Shahed-136, atingiu o topo de um prédio de dez andares, segundo as autoridades romenas.

Duas pessoas sofreram ferimentos leves, e outras 70 foram retiradas do edifício. “A natureza sem precedentes do evento demanda uma resposta firme, coordenada e proporcional”, disse o presidente romeno, Nicusor Dan.

A Romênia foi alvo de drones russos que participavam de ataques aos portos ucranianos no rio Danúbio, que separa os dois países, em 28 ocasiões. Mas nunca houve um edifício civil atingido, nem feridos.

Dois caças F-16 e um helicóptero foram acionados, mas o drone ficou apenas quatro minutos no espaço aéreo romeno antes de atingir o prédio. Galati tem sistema de proteção antidrones, mas as Forças Armadas disseram que ele não foi acionado porque o risco de destroços atingirem uma área densamente povoada era muito grande.

Como foi um drone isolado, que integrava segundo Dan um enxame de 43 aparelhos rastreados, o provável é que ele tenha sofrido interceptação eletrônica por parte das defesas antiaéreas da Ucrânia e perdido seu caminho.

É algo diferente do mais grave episódio envolvendo um membro da Otan na guerra, quando houve uma incursão de 21 drones lançados diretamente de uma base russa rumo à Polônia em setembro, num teste de prontidão negado por Moscou.

O presidente Dan disse que irá expulsar o cônsul-geral da Rússia na cidade de Constanta, próxima a Galati, como retaliação. O Kremlin afirmou que haverá uma resposta proporcional, como é praxe nesses casos. Já a chancelaria em Moscou rechaçou a ideia de que o incidente foi deliberado.

Seja como for, o episódio ajuda a elevar ainda mais a tensão entre a Europa e a Rússia. Nas últimas semanas, houve diversos incidentes em que drones de Putin caíram em Estados Bálticos, gerando protestos.

Na via inversa, o Kremlin tem acusado membros da Otan no Leste Europeu de permitir a passagem de drones ucranianos em ataques contra a Rússia. Também sugeriu que a Letônia iria permitir o lançamento de aviões-robôs de seu território, o que foi negado pelo governo local.

“A guerra da Rússia cruzou outra linha. Em território da UE (União Europeia)”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen. Houve críticas de diversos países do continente, inclusive da Eslováquia, cujo governo é simpático a Moscou.

O incidente ocorre enquanto a Ucrânia se prepara para um novo mega-ataque russo, anunciado na segunda-feira (25) pela chancelaria em Moscou. De forma inédita, o governo de Putin pediu para que estrangeiros, em especial diplomatas, deixassem Kiev, dizendo que irá atacar centros de decisão do governo de Volodimir Zelenski.

A medida será, diz o Kremlin, uma retaliação pela morte de 21 jovens durante um ataque com drones ucranianos contra Lugansk, região do leste do país ocupada pelos russos.

A UE e a Otan protestaram contra a ameaça, e nenhuma embaixada ocidental fechou as portas em Kiev até o momento. Nesta sexta, Zelenski afirmou que seus serviços de inteligência já detectaram os preparativos para um “grande ataque”, sem precisar quando.

Ainda nesta sexta, Putin disse que nunca ameaçou a Europa e que “tem os meios para destruir” qualquer país que atacar o exclave russo de Kaliningrado, entre a Polônia e a Lituânia, um ponto de atrito nevrálgico com a Otan.

De seu lado, Kiev também está intensificando os ataques com drones e mísseis de cruzeiro contra a Rússia. Em Moscou, chamou a atenção na quinta (28) a instalação de um sistema antiaéreo Pantsir-S1 em cima de uma torre comercial no norte da capital. O armamento foi içado por helicóptero Mil Mi-26, o maior do mundo.

noticia por : UOL

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