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Cuiaba - MT / 4 de junho de 2026 - 16:26

Eduardo Bolsonaro reforça 'Tariflávio' ao sugerir negociar Pix com os EUA

O Pix é uma das infraestruturas de transferência de dinheiro mais democráticas que o mundo já construiu. É o meio pelo qual um trabalhador informal recebe seu sustento, pelo qual a feirante recebe do cliente sem ter que pagar taxa de cartão, que o motorista de aplicativo ou o taxista recebem a corrida, que grandes empresas recebem pagamentos de forma imediata.

A Febraban, entidade que representa os maiores bancos do país (e que não é exatamente um bastião do lulismo), teve que vir a público em reação à decisão de Trump para dizer o óbvio: o Pix não é um produto comercial, é uma infraestrutura pública de pagamentos, aberta a bancos nacionais e estrangeiros, inclusive norte-americanos.

O Zelle, que Eduardo apresentou como equivalente do Pix nos EUA, é operado por uma rede de bancos privados e não pelo Banco Central de lá e não é ágil como o sistema brasileiro. Compará-los como intercambiáveis é como dizer que o SUS e um plano de saúde particular são a mesma coisa porque os dois tratam doentes.

Mas o problema do ex-deputado federal não é técnico. É político, e é grave para o clã Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro está asfaltando sua candidatura presidencial para 2026 sobre a narrativa de que seria capaz de negociar melhor com os norte-americanos. E o irmão do candidato aparece em vídeo sugerindo que o Brasil deveria colocar o Pix na mesa de negociação. Considerando que os brasileiros preferem perder várias Copas do Mundo do que o Pix, aceitar negociar o Pix é visto como traição.

A reação nas redes foi imediata e cirúrgica. “Vassalagem” virou trending topic. “Tariflávio”, neologismo que associa o tarifaço à visita do senador a Trump, ganhou mais combustível. Duro, mas politicamente eficaz: a narrativa de que os Bolsonaros pedem que Trump prejudique o Brasil para que voltem ao poder se consolida a cada declaração do clã.

noticia por : UOL

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