Anúncio

Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 0:40

Inteligência artificial, big techs e Trump roubam a cena em Davos

Inteligência artificial, grandes empresas de tecnologia e o retorno de Donald Trump dominam o palco do Fórum Econômico Mundial deste ano, em Davos, relegando a segundo plano temas como clima, refugiados e desigualdade de gênero.

Antes mesmo da abertura oficial do evento, longas filas se formavam diante de espaços dedicados à IA e à cibersegurança, enquanto iniciativas voltadas a causas sociais passavam quase despercebidas.

Em uma curta extensão da principal avenida da cidade suíça, vitrines alugadas por empresas de tecnologia, consultorias e governos do Golfo davam o tom de um encontro cada vez mais voltado a negócios, influência e visibilidade

Embora painéis sobre meio ambiente e saúde continuassem a ocorrer, o centro da atenção esteve nos gigantes da tecnologia e no entusiasmo com o potencial econômico da inteligência artificial.

Executivos celebravam o momento como uma virada única, enquanto festas, eventos fechados e experiências patrocinadas por empresas do setor se multiplicavam.

“Eu sou muito otimista”, disse Daniel Newman, CEO do Futurum Group, uma consultoria sediada em Austin, no Texas, que assessora grandes empresas de tecnologia em novos empreendimentos. “Este é um momento exponencial, e o mundo está mudando.”

O fórum deste ano, o 56º de sua história, também foi marcado pela expectativa em torno da chegada de Trump, em meio a tensões entre os Estados Unidos e a União Europeia.

O senso comum dizia que Trump pisaria em terreno hostil: uma conferência dedicada à cooperação multilateral, realizada na Europa, justamente quando ele avança com ameaças de tomar a Groenlândia da Dinamarca, um país aliado na Otan.

Líderes europeus usaram seus discursos para reagir às ameaças do presidente americano de impor tarifas e pressionar a Dinamarca a ceder a Groenlândia, mas essas discussões ocorreram fora do centro do espetáculo.

Nesta terça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, usou seu discurso principal para pedir ao governo Trump que não avançasse com tarifas em função de suas reivindicações sobre a Groenlândia.

“Nossa resposta será firme, unida e proporcional”, afirmou.

As áreas mais disputadas de Davos foram ocupadas por marcas como Meta, Salesforce e Palantir, além de um espaço batizado de USA House, patrocinado por empresas americanas como Microsoft, que exaltava a liderança dos EUA em inovação e negócios.

Em entrevista nesta terça, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que pretendia se reunir com executivos não americanos para pedir calma diante das tensões em torno da Groenlândia.

“Respirem fundo e deixem isso se desenrolar”, disse Bessent. “Não deem ouvidos à histeria da mídia.”

As multidões que lotavam a USA House reforçavam a sensação de que Davos foi reformulado — ou talvez apenas teve sua essência escancarada. Embora críticos há muito acusem o Fórum Econômico Mundial de encenar preocupação humanitária enquanto, na prática, promove um grande encontro de negócios, neste ano as aparências parecem ter sido abandonadas. .

Karen Harris, diretora-executiva do Macro Trends Group da Bain & Co., frequenta o fórum desde 2018. Ao observar a programação deste ano, percebeu uma mudança em relação à ideia tradicional de que representantes de ONGs se reúnem em Davos para aconselhar líderes mundiais sobre como elevar a humanidade.

“Isso já não parece ser a agenda”, disse ela. “Certamente a agenda —e quem é tratado como herói— parece diferente.”

noticia por : UOL

LEIA MAIS