O crítico Jean-Claude Bernardet, morto no último sábado, deixou um impacto indelével não só no cinema, mas na literatura, numa obra sempre marcada pela absoluta liberdade. Isso deve ser reforçado pelo livro póstumo que deixou pronto com a Companhia das Letras, a sair já em agosto.
“Viver o Medo” foi escrito em parceria com sua amiga e ex-aluna Sabina Anzuategui e já anuncia no subtítulo ser “uma novela pornô-gourmet”. É uma espécie de autoficção conjunta sobre sexualidade —como boa parte da obra do autor, é um título de difícil classificação, já que a editora também o anuncia como um “metalivro” sobre memórias picantes.
Na obra inédita, os autores contam a história de Tremblay, um professor de cinema que convive com o HIV, com a cegueira e com um câncer de próstata, assim como o intelectual belga que morreu aos 88 anos.
Passeia pelas aventuras eróticas do personagem em banheiros, hotéis e quitinetes, avançando para uma reflexão de homem idoso que lida com a impotência e a dificuldade de consumar o sexo. A personagem incorporada por Sabina no livro o instiga a lembrar enquanto conta suas próprias experiências.
Com uma obra vasta que inclui trabalhos fundamentais como crítico, roteirista, ator e diretor, Bernardet é autor de livros basilares como “Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro” e “Brasil em Tempo de Cinema”, além dos autobiográficos e recentes “O Corpo Crítico” e “Wet Mácula”, este escrito também com Anzuategui.
FALANDO EM CRÍTICO O carioca Italo Moriconi, um dos maiores críticos literários em atividade, vai publicar no ano que vem pela Autêntica um guia de leitura de “Grande Sertão: Veredas”, marcando os 70 anos do clássico de Guimarães Rosa. Ele garante que será uma obra “acessível e apaixonada”, partindo das próprias experiências de Moriconi com o romance. “Será um guia de leitor para leitor”, promete.
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noticia por : UOL


