“Construção”, uma das mais contudentes músicas de Chico Buarque, foi atualizada, na última sexta (4). Não era um operário que caiu de um andaime e morreu na contramão atrapalhando o trânsito após uma última marmita, mas um marceneiro negro morto com um tiro na cabeça, quando estava saindo do trabalho por um policial militar que o confundiu com um ladrão, ficando estirado no chão com sua marmita ao lado até o sábado de manhã.
Guilherme Ferreira bateu o ponto às 22h28 na fabrica de camas onde trabalhava, em Parelheiros, bairro pobre da capital paulista, e foi morto às 22h35, quando corria para pegar o ônibus e voltar para casa. Junto a seu corpo, que ficou cercado de transeuntes que diziam se tratar de um bandido, foram encontrados, além da marmita, uma carteira, o celular, remédios, chaves e uma bíblia.
O policial Fábio de Almeida foi autuado em flagrante por homicídio sem a intenção de matar, pagou R$ 6,5 mil e foi liberado. A chance é grande de que, no fim das contas, ninguém seja responsabilizado.
noticia por : UOL



