Autoridades mexicanas anunciaram na última sexta-feira (6) um plano para mobilizar 100 mil agentes de segurança neste verão, em uma tentativa de estabilizar o país e proteger o torneio da Copa do Mundo deste ano após a morte de um importante líder de cartel.
A ampla mobilização é uma resposta direta à onda de violência de cartéis em todo o país que eclodiu há cerca de duas semanas em retaliação à morte do chefão do tráfico, alimentando o ceticismo sobre a capacidade do México de proteger os milhões de torcedores esperados para o maior evento esportivo do mundo.
O general Román Villalvazo, líder militar mexicano que supervisionará as operações de segurança da Copa do Mundo no país, detalhou os planos de segurança durante uma entrevista coletiva na manhã de sexta-feira.
O governo mexicano disse que contará com cerca de 100 mil membros das forças de segurança, recrutando efetivos das Forças Armadas, do Ministério da Segurança do México e de empresas de segurança privada. As forças estarão fortemente concentradas nas três cidades-sede —Cidade do México, Guadalajara e Monterrey— e serão complementadas por aproximadamente 200 cães policiais farejadores de bombas.
O governo também mobilizará mais de 2.100 veículos militares, 24 aeronaves e 33 drones, disse Villalvazo. Ele acrescentou que autoridades mexicanas estabelecerão perímetros de segurança em torno de pontos de interesse em locais como Guadalajara, incluindo seu aeroporto e estádio.
“Como podem ver, estamos muito preparados para a Copa do Mundo”, disse a presidente do México, Claudia Sheinbaum, na entrevista coletiva.
Guadalajara, capital do estado de Jalisco, é o reduto do Cartel Jalisco Nova Geração, grupo que foi liderado por Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, o narcotraficante conhecido como El Mencho, morto em uma operação militar mexicana em 22 de fevereiro.
Após sua morte, grupos armados desencadearam uma onda de violência em 20 dos 32 estados do México, atacando forças de segurança, bloqueando rodovias e incendiando estabelecimentos comerciais e veículos. Pelo menos 62 pessoas foram mortas.
Desde então, alguns turistas e seleções nacionais de futebol programadas para jogar no México expressaram preocupação em viajar para o país.
A Copa do Mundo “representa um evento sem precedentes”, disse Villalvazo, que exigirá que o governo mexicano enfrente qualquer ameaça à segurança nacional e “mostre um México confiável, seguro e organizado”.
As forças de segurança mexicanas iniciaram treinamento especializado em janeiro, disse ele, e planejam realizar exercícios ainda este mês.
A Copa do Mundo será sediada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México.
O México receberá 13 jogos da Copa do Mundo: cinco na Cidade do México, a capital, e quatro em Monterrey e Guadalajara. O país será o primeiro a sediar a Copa do Mundo três vezes. O torneio de cinco semanas começará em 11 de junho, quando a seleção mexicana enfrentará a África do Sul na Cidade do México.
Mas antes disso, quatro partidas eliminatórias serão realizadas ainda este mês em Monterrey e Guadalajara.
Autoridades mexicanas e da Fifa (Federação Internacional do Futebol) têm buscado transmitir calma e insistido que a Copa do Mundo no México não está em risco.
A Fifa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na sexta-feira. Mas após a morte de Oseguera Cervantes, o presidente da entidade, Gianni Infantino, disse que sua organização tinha “total confiança” no México e no governo de Sheinbaum.
Na quarta-feira (4), autoridades mexicanas do governo federal e das três cidades-sede se reuniram com representantes da Fifa para coordenar os planos de segurança.
O México, que já está entre os dez países mais visitados do mundo, recebeu quase 50 milhões de turistas internacionais no ano passado. Autoridades dizem esperar quase 5,5 milhões de visitantes para a Copa do Mundo.
Como resultado, autoridades mexicanas lançaram campanhas publicitárias para promover a segurança e combater a desinformação.
As secretarias de Turismo dos estados de Guerrero, Jalisco e Quintana Roo —este último sendo lar de destinos de praia como Cancún, Playa del Carmen e Tulum— têm publicado depoimentos em vídeo de turistas dizendo o quão seguros se sentiram nos dias após a morte de Oseguera Cervantes.
“Algo aconteceu”, disse Michelle Fridman, secretária de Turismo do estado de Jalisco, em entrevista na semana passada. “Não estamos negando, e também entendemos a inquietação que um incidente incomum como este gera, porque não é algo que acontece todos os dias.”
Mas, disse ela, a resposta do governo foi rápida e a Embaixada dos EUA na Cidade do México suspendeu suas restrições de viagem em três dias.
“Obviamente esperamos reconquistar a confiança das pessoas”, disse Fridman.
noticia por : UOL



