Lembro-me de quando o velho ACM chegava ao Senado, na época em que presidia a Casa. Todos os dias, uma equipe de dez pessoas ficava na chapelaria aguardando sua chegada. Alguém abria a porta do carro, o elevador era paralisado para que ele não precisasse apertar o botão ou aguardar. Ele não cumprimentava ninguém de sua equipe. Subia para seu gabinete cercado pelo séquito, como um rei.
Em Brasília, costuma-se dizer que a primeira coisa que faz o político perder a noção da realidade é o fato de não abrir sequer uma porta.
Certo dia, presenciei o ainda futuro ministro do Supremo, Cristiano Zanin, ser retirado do ônibus que levava os passageiros até o avião por um funcionário da companhia. Ele foi acomodado em uma van e seguiu sozinho até a aeronave, enquanto os demais passageiros se amontoavam no transporte coletivo.
É um segredo de Estado, mas, em alguns aeroportos, as companhias aéreas têm funcionários para identificar os VIPs e retirá-los das filas.
Quando presidente, Jair Bolsonaro mobilizava todo um aparato para andar de moto pela cidade ou de jet ski, armando cenas para vender a imagem de um homem simples, que come pão com leite condensado e toma café em copo de requeijão. Enquanto isso, seu filho número um comprava uma mansão de R$ 6 milhões, e o número dois frequentava hotéis luxuosos pelo país.
Um causo contado em Brasília, na época do governo Dilma Rousseff, diz que a presidenta exigia abacaxi cortado em rodelas e descascado, e se irritava quando não estava do seu agrado.
noticia por : UOL


