O Movimento Correnteza, braço da legenda de extrema-esquerda Unidade Popular (UP), tornou-se protagonista em ocupações universitárias, como a recente invasão da reitoria da USP. O grupo utiliza táticas de agitação permanente para ganhar espaço político no ambiente acadêmico brasileiro.
Como surgiu o Movimento Correnteza?
O coletivo foi fundado em 2017 como um braço estudantil da Unidade Popular (UP), um partido que segue as ideias do marxismo-leninismo (corrente política que propõe a mudança do sistema social por meio de revoluções). O nome é uma homenagem a um documento importante da UNE de 1979, período em que os movimentos estudantis voltavam a atuar de forma legal após o regime militar.
Qual é a estratégia utilizada pelo grupo nas universidades?
O Correnteza foca na ‘agitação permanente’. Diferente de outros grupos, eles não esperam datas específicas para protestar; estão sempre presentes nos corredores vendendo jornais, panfletando com megafones e organizando ‘cozinhas solidárias’. O objetivo é conquistar Centros Acadêmicos menores para, depois, controlar entidades maiores, como o Diretório Central dos Estudantes (DCE).
Quem é a principal liderança envolvida na ocupação da USP?
Dany Oliveira, estudante de 28 anos, tem sido a face pública das mobilizações. Ela é coordenadora-geral do DCE da USP e diretora da UNE. Dany já tentou ser vereadora em São Paulo pelo partido UP e foi lançada recentemente como pré-candidata a deputada federal. Críticos apontam que ela utiliza o espaço acadêmico como vitrine para suas pretensões eleitorais.
Por que o movimento é criticado por grupos da própria esquerda?
Embora também sejam opositores do sistema capitalista, outros coletivos de esquerda acusam o Correnteza de ‘aparelhamento’. Isso significa usar as entidades dos estudantes apenas para promover um partido político. Eles são criticados por adotarem métodos autoritários e por misturarem problemas locais dos alunos, como moradia, com pautas ideológicas internacionais complexas que não são a prioridade de quem quer apenas estudar.
O grupo já se envolveu em outros episódios de violência?
Sim. Além da invasão da reitoria da USP, que terminou com rastro de destruição e depredação, militantes ligados ao grupo participaram da ocupação da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Há também registros de confrontos físicos com coletivos liberais em eventos da UNE e prisões de membros em protestos contra privatizações na Assembleia Legislativa de São Paulo.
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noticia por : Gazeta do Povo




