O prefeito Ricardo Nunes (MDB) gravou um vídeo em resposta à carta da atriz Fernanda Montenegro que pediu a manutenção do endereço do Teatro de Contêiner Mungunzá. A gravação deve ser enviada à artista.
No vídeo, com duração de três minutos, Nunes diz querer contar o que “verdadeiramente” está acontecendo. Os secretários municipais Edson Aparecido (Governo) e José Antonio Totó (Cultura) também participam da gravação.
“Só sob a minha gestão a gente passou mais de R$ 2,5 milhões para eles. Não tem nada de querer acabar com o teatro, pelo contrário”, afirma. “O teatro está num local em que a prefeitura precisa realizar intervenções, está no plano de metas, e vamos levá-los para um espaço melhor e maior”, diz.
No fim de maio, a prefeitura notificou extrajudicialmente os integrantes do grupo, afirmando que eles deveriam deixar a área municipal onde estão instalados desde o fim de 2016, na rua dos Gusmões, na Luz, ao lado de onde era o fluxo da cracolândia. A gestão municipal diz que vai usar o terreno para um “hub de moradia social”.
Na carta, Fernanda Montenegro fazia um apelo ao prefeito para que ele repensasse a saída do grupo da área. “Senhor prefeito Ricardo Nunes, estenda a sua mão e se junte a nós: o teatro brasileiro. A Cia Teatral Mugunzá é parte já da nossa história teatral. E representa culturalmente São Paulo. Pedimos: estenda a sua mão”, escreve a atriz na carta.
Na segunda-feira (9), a deputada federal Luciene Cavalcante, o deputado estadual Carlos Giannazi e o vereador Celso Giannazi, todos do PSOL, realizaram uma audiência pública defendendo a permanência do teatro no centro.
Eles também entraram com uma ação popular na Justiça pedindo a suspensão imediata dos efeitos na notificação, “impedindo qualquer medida de desocupação, remoção, demolição ou intervenção” no local até que sejam apresentados, “de forma completa e fundamentada, os documentos e informações técnicas que justifiquem a destinação habitacional do imóvel”.
Carlos Giannazi afirma que a tentativa da prefeitura de retirar o equipamento da região é “mais uma ação para promover a limpeza de moradores de rua e usuários de droga no local”.
“Há outros espaços no centro para abrigar habitações. O Teatro Contêiner está ali há anos, desenvolvendo justamente com essa população um trabalho social com as pessoas que ficam na cracolândia”, diz o deputado.
Para Giannazi, a permanência do teatro atrapalha os planos que governo e prefeitura têm para a região. “Eles não querem nenhum equipamento social para atrapalhar.”
Sobre as críticas, Nunes diz à coluna que “lugar de usuário de drogas não é nas ruas, é nos equipamentos de saúde, para se tratar”.
“É o que estamos fazendo, cuidando dessas pessoas. Esse pessoal gosta de usar os vulneráveis para fazer palanque”, conclui o prefeito.
com KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e VICTÓRIA CÓCOLO
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noticia por : UOL




