São Paulo entrega seu Big Brother ao crime com falhas no Smart Sampa

E “qualquer um” incluía quem quisesse ver, ao vivo, as ruas onde moram o ministro do STF Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso. Ou a entrada de clubes como a Hebraica e a Sociedade Hípica Paulista. Se nem o pessoal do andar de cima está protegido, imagine o restante que não tem segurança particular nem assessoria para reclamar.
Um sistema desenhado para controle e zeladoria, quando vaza, deixa de ser ferramenta do Estado. Vira infraestrutura disponível para quem for criativo diante da brecha.
Câmeras de parceiros privados costumam apontar para portarias, garagens, escolas e comércios. Com acesso irrestrito, dá para montar um dossiê de horários, companhias e trajetos de milhares de pessoas. Esse era um dos riscos que especialistas e organizações da sociedade civil voltadas à proteção de dados alertaram quando o sistema foi projetado. Para eles um “eu avisei” não vai ser o bastante.
Mesmo que a brecha entregue “só” o vídeo, imagens contínuas e em alta resolução podem ser capturadas e jogadas em softwares paralelos de reconhecimento facial. Ou seja, bases biométricas clandestinas, montadas com material que o cidadão nunca autorizou que fosse usado assim.
Sem contar que facções criminosas sabem fazer contrainteligência. Câmeras abertas permitem acompanhar o padrão de patrulhamento da PM e da GCM, identificar viaturas, mapear rotas de fuga e áreas desguarnecidas antes de uma ação. O olho que deveria vigiar o crime pode trabalhar para ele.
E há o risco mais direto. Acompanhar uma vítima em tempo real permite saber o momento exato em que ela chega em casa ou para no semáforo. É logística de precisão para sequestro-relâmpago, roubo de carro e extorsão.
noticia por : UOL


