Anúncio

Cuiaba - MT / 10 de janeiro de 2025 - 0:54

Zuckerberg erra rude se aposta que é grande demais para levar gancho do STF

Por um lado, a Meta não é o X. Claro que é muito mais fácil a Justiça mandar suspender o antigo Twitter por descumprir uma ordem judicial do que aplicar um gancho no Instagram, no WhatsApp, no Facebook e no Threads. Tirar essas plataformas e serviços de mensageria do ar geraria um caos em empresas, exibicionistas profissionais e na comunicação interpessoal de uma maneira geral.

Mas, ao mesmo tempo, o X não é a Meta. A empresa de Mark Zuckerberg ganha bilhões em publicidade e prestação de serviços no Brasil, inclusive do governo federal. Após mais de um mês de bloqueio, Elon Musk capitulou diante do Supremo Tribunal Federal também porque sua negativa em cumprir a lei brasileira estava dando prejuízos ao seu outro negócio, a Starlink. E, vamos ser bem sinceros, ele percebeu que a vida seguiu o seu curso normal sem o X, inclusive com menos toxicidade.

Uma das primeiras consequências do já antológico discurso de Mark Zuckerberg que, na primeira camada, abraça Donald Trump e, na segunda, dá uma banana aos custos da regulação de plataformas oriundos das leis da Europa, do Brasil e da Austrália, é que a vida ficou mais difícil para gays, lésbicas e a população LGBT+ em geral. As novas diretrizes divulgadas pela Meta permitem que os usuários associem esses grupos a doentes mentais, por exemplo.

Isso pode levar a uma decisão de remoção de publicações pela Justiça. Se sustentar a postagem por conta de suas novas políticas, a plataforma pode se ser suspensa. Vai ter gente chorando sangue e querendo o fígado dos ministros do STF? Vai. Mas fazer de conta que a Meta pode enquanto outros têm que seguir a lei brasileira seria o equivalente a nos afirmar como colônia dos EUA. Se leis valem para a Pernambucanas, a Vale e o Itaú também valem para a Zara, a Anglo-American e o Citibank aqui instalados..

Zuckerberg deve apostar que sua empresa, ao contrário da companhia de Elon Musk, é muito grande para cair. Para não rasgar dinheiro, conviria a ele ouvir sua equipe da filial da empresa em São Paulo para entender como funciona o Brasil, a nossa Constituição e o STF.

noticia por : UOL

LEIA MAIS