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Cuiaba - MT / 7 de março de 2026 - 8:30

Extremistas espalham memes de ataque a migrantes e manifestantes anti-Trump

“Atire em alguns deles e os outros irão pra casa. Prometo”, eram os dizeres em um post, com a imagem de um homem de chapéu segurando uma espingarda, que circulou há alguns dias em uma conta de Telegram do grupo Proud Boys.

A polícia americana investiga se os ataques a dois parlamentares estaduais de Minnesota baleados nesta madrugada — a deputada democrata Melissa Hortman, que morreu, e o senador democrata John Hoffman, hospitalizado — foram cometidos por um criminoso que pretendia também cometer atos violentos contra os manifestantes anti-Trump. De acordo com a polícia, o suspeito dos crimes, flagrado na casa de uma das vítimas, trajava um uniforme policial e usava um veículo equipado com giroflex, como o de viaturas policiais.

Os memes pró-violência antiprotestos se juntam a outros, anti-imigração, que têm sido espalhados por grupos supremacistas brancos nos últimos meses. Um deles, uma imagem do Tio Sam estimulando americanos a “denunciarem imigrantes” para “ajudar o país” acabou repostada pela conta oficial da própria agência de controle de imigração e alfândega dos EUA, o ICE, na sigla em inglês.

“Os movimentos de extrema-direita há muito compreenderam que quebrar tabus pode ser uma forma eficaz de chamar a atenção e mudar as normas sociais. Na cultura digital, o humor tornou-se uma ferramenta fundamental nesse processo. Piadas funcionam como um escudo: se uma declaração for recebida com repercussão negativa, seus defensores podem simplesmente alegar que foi ‘apenas uma piada'”, argumentam os antropólogos Mirco Göpfert, da Goethe University Frankfurt e Konstanze N’Guessan, da Mainz University, que recém publicaram um artigo acadêmico se debruçando sobre o crescimento da cultura do meme na extrema-direita, especialmente nos EUA.

Trump e os grupos extremistas

A relação entre o trumpismo e milícias de extrema-direita não é uma novidade, embora Trump tenha tentado eventualmente se distanciar dos grupos, sempre de modo ambíguo. No primeiro mandato do presidente, manifestações abertas da extrema-direita começaram a se espalhar pelo país, o que levou a uma resposta de parte da sociedade civil contra tais atos. Em Charlottesville, Virgínia, em 2017, uma situação dessas acabou em tragédia quando um membro de grupo supremacista branco investiu com um veículo contra uma marcha antirracista. Uma pessoa morreu e 35 ficaram feridas no atropelamento.

noticia por : UOL

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