Esse reino não deve ser confundido com a atual República do Benin, que corresponde ao Reino do Daomé (1600-1904). Porém, é neste último que fica a cidade de Ajudá, onde o próprio Custódio afirmava ter nascido.
Ajudá é berço de um grupo de africanos escravizados que conseguiram obter alforria no Brasil e retornaram à África. Conhecidos como agudás, esses ex-cativos desfrutavam de status especial pelo conhecimento da língua portuguesa. Alguns envolveram-se no tráfico atlântico de escravos.
“Os agudás faziam o papel de intermediários entre portugueses e africanos em Ajudá. Eram muito procurados por sua capacidade de organização”, afirma o historiador Jovani Scherer, co-autor, com Weimer, do livro “No refluxo dos retornados: Custódio Joaquim de Almeida, o príncipe africano de Porto Alegre.”
Quando se trata de supostos vínculos de Custódio com a realeza, a pesquisadora da diáspora africana Lisa Earl Castillo, doutora em letras pela Universidade Federal da Bahia, recomenda cautela. Os antigos reinos africanos, explica, eram diminutos e tinham várias linhagens reais. Os reis tinham dezenas de esposas, cada uma com vários filhos.
“Um número grande de pessoas podia reivindicar realeza, com razão ou não”, diz Castillo. “No caso de Custódio, não há documentos que esclareçam por que usava o título de príncipe.”
Para o babalorixá Hendrix Silveira, historiador e doutor em teologia, em uma sociedade escravocrata, Custódio pode ter usado a identidade de príncipe como estratégia de sobrevivência. “Com esse título, ele ganha um status não apenas entre os pretos, mas também entre os brancos”, reflete.
noticia por : UOL


