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Cuiaba - MT / 17 de junho de 2026 - 14:46

Abelhas operárias constroem 'palácio' que pode ser determinante para rainha

Como uma abelha se torna rainha? Um novo estudo sugere que esse processo pode estar ligado a propriedades do “palácio” construído por operárias para a futura soberana.

Até então, a hipótese de cientistas era que a chegada ao posto se devia exclusivamente a uma dieta oferecida à escolhida. A nova pesquisa, publicada no dia 3 deste mês na revista Nature, sugere um outro fator: a natureza da câmara de cera construída para ela pelo grupo operárias.

As operárias fornecem à futura rainha uma substância rica em nutrientes chamada geleia real, que elas secretam. Mas a câmara de desenvolvimento larval que constroem para ela reúne qualidades físicas e químicas únicas.

“Uma dieta real não significa nada sem um palácio real”, disse Kai Wang, cientista do Instituto de Pesquisa Apícola da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e um dos líderes do estudo. A análise se concentrou na abelha-europeia (Apis mellifera).

A maior parte de uma colmeia é construída com cera secretada pelas operárias e moldada em células hexagonais organizadas. Algumas são usadas para armazenar alimento, e outras, para o cuidado da cria.

Mas existe ainda um terceiro tipo de câmara feito para a futura rainha. Essa estrutura, há muito tempo tratada por apicultores como sinais de enxameação ou substituição da rainha, era frequentemente tratada como um mero recipiente passivo.

“Nosso estudo mostra que, na verdade, é uma ‘incubadora inteligente’ ativa e altamente sofisticada”, afirmou Wang.

Segundo os pesquisadores, essa câmara oferece um conjunto de condições físicas e químicas que pode ajudar a direcionar o desenvolvimento da larva para o caminho real. Essa cera é mais macia, derrete a uma temperatura mais alta e libera um “perfume” químico diferente.

As paredes mais macias podem dar à larva em crescimento espaço para se expandir, e os aromas, atuar como gatilhos hormonais.

Mesmo com a geleia real, Wang afirmou que larvas expostas à cera de células de operárias apresentaram desenvolvimento mais fraco como rainhas e mortalidade muito maior, sugerindo que precisam do “cheiro e toque” da cera real para sobreviver e se transformar.

Os autores do estudo também descobriram que as abelhas que constroem as células reais tinham temperaturas torácicas excepcionalmente altas e atividade genética distinta.

“Para moldar essa cera especial, de alto ponto de fusão, essas abelhas jovens precisam transformar seus corpos em pequenas ‘fornalhas vivas’, aquecendo seus tórax a mais de 39 graus Celsius, como se estivessem com febre”, afirmou Wang.

Ainda de acordo com ele, essas abelhas não são uma casta permanentemente especializada, e sim “operárias jovens comuns e versáteis” assumindo um trabalho emergencial temporário, com alterações de curto prazo na expressão gênica que as ajudam a processar a cera.

O pesquisador as chamou de “multitarefas definitivas” porque, enquanto constroem as células reais, continuam realizando tarefas cotidianas da colmeia, como compartilhar alimento com companheiras e inspecionar outras células.

O que mais surpreendeu Wang foi que o “dogma” do determinismo nutricional —a ideia de que alimentar uma larva com geleia real é o único segredo para criar uma rainha— estava incompleto. O estudo, no entanto, não identifica o aspecto preciso da cera que está em jogo.

Wang disse que o próximo passo é encontrar o interruptor molecular: “Qual cheiro químico específico ou toque físico diz ao DNA das larvas rainhas: ‘Você é a rainha'”.

O trabalho pode ajudar apicultores a criar rainhas mais saudáveis, na avaliação de Boris Baer, professor de saúde de polinizadores na Universidade da Califórnia, em Riverside, um dos autores do estudo.

A produção de rainhas é fundamental para a apicultura moderna: rainhas saudáveis são necessárias para manter colônias saudáveis.

Baer afirmou que compreender melhor como as colônias produzem naturalmente rainhas de alta qualidade poderia ajudar a sustentar populações de abelhas mais resilientes em um momento em que apicultores relatam perdas substanciais de colônias.

Para Wang, as descobertas ressaltam a colônia de abelhas como um superorganismo, com as abelhas moldando coletivamente uma larva comum para se tornar sua futura rainha. “Comer bem é importante, mas viver no lar perfeito é o que realmente muda seu destino”, afirmou.

noticia por : UOL

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