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Cuiaba - MT / 4 de agosto de 2026 - 17:00

Argentina Lemon lança no Brasil cartão Visa com cashback em dólares digitais

A Lemon, carteira digital latino-americana, lançou nesta semana no Brasil o Lemon Card, cartão Visa que permite pagamentos em reais com cashback em dólares digitais. O produto já havia sido emitido em cera de 2 milhões de unidades na Argentina, no Peru e na Colômbia.

O cartão está disponível inicialmente em formato virtual, com suporte a Apple Pay e Google Pay, e pode ser usado em estabelecimentos credenciados à Visa no Brasil e no exterior. As compras são debitadas do saldo do usuário, que pode manter recursos em reais, dólares digitais ou bitcoin. O cashback é de 0,5% para pagamentos com saldo em reais e de até 1% quando o pagamento é feito com dólares digitais ou outros ativos.

A empresa, fundada em 2019 na Argentina por Marcelo Cavazzoli, tem cerca de 4 milhões de usuários validados na América Latina e já processou US$ 9,3 bilhões em 2025 (R$ 47,4 bilhões), segundo dados da companhia. A meta declarada é dobrar a base de usuários na região até o fim do ano.

Cavazzoli afirma que a operação brasileira segue lógica diferente da argentina. “Não acreditamos que a adoção de ativos digitais dependa exclusivamente de contextos de alta inflação ou desvalorização”, disse. Segundo ele, o Brasil concentra cerca de um terço do volume de ativos digitais recebidos na América Latina, ainda que a penetração proporcional de plataformas cripto seja menor do que a argentina.

“Entendemos que o Lemon Card é uma peça dentro de uma estratégia muito mais ampla”, afirmou, citando o Pix, a negociação de criptomoedas e os produtos de rendimento como outras frentes de crescimento do mercado financeiro digital.

Contexto argentino

A inflação alta do peso argentino frente ao dólar nos últimos cinco anos levaram a população a buscar ativos digitais para proteção patrimonial. Diante das restrições cambiais impostas pelo governo, que limitavam, até abril de 2025, a compra oficial de moeda estrangeira a US$ 200 mensais (R$ 1.019), uma parcela dos argentinos adotou stablecoins pareadas ao dólar, bitcoin e outros criptoativos como reserva de valor.

O mercado cripto também é utilizado por trabalhadores informais —que compõem cerca de 56% da força de trabalho, segundo levantamento do Indec (Instituto de Estatística e Censos da Argentina) do 4º trimestre de 2025— e freelancers que prestam serviços ao exterior para contornar limitações do sistema bancário tradicional.

A prática levou a uma maior abertura do país aos criptoativos, defendida pelo presidente Javier Milei, mas também trouxe desafios regulatórios e de transparência do sistema financeiro. Sobre a meta de dobrar a base de usuários, o executivo evitou vincular um número específico ao cartão.

Concorrência no Brasil

A empresa não divulga o volume de transações projetado para o primeiro ano do cartão no Brasil, citando acordo de confidencialidade com parceiros. “Nesta primeira etapa, estamos medindo o sucesso principalmente por meio de indicadores de adoção, frequência de uso e qualidade do produto”, disse Cavazzoli.

Questionado sobre a concorrência de outras fintechs que já oferecem cartões ligados a criptoativos no país, o CEO disse que a Lemon não pretende competir apenas nesse segmento. “Nosso posicionamento parte do conceito de ‘fresh finance’: uma experiência que reúne, em uma única plataforma, pagamentos, reais, dólares digitais, bitcoin, transferências internacionais e acesso a diferentes ativos”, afirmou.

Sobre a escolha por cashback em dólares digitais —e não em bitcoin, como em outros mercados—, Cavazzoli disse que a decisão reflete o comportamento do usuário brasileiro.

“No Brasil identificamos uma demanda crescente por dolarização, diversificação e acesso mais simples a ativos internacionais”, afirmou, acrescentando que os dólares digitais já concentram a maior parte das transações com criptoativos declaradas no país, segundo a empresa.


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noticia por : UOL

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