Meta, Google, Microsoft e Amazon divulgaram, nesta quarta-feira (29), os resultados do primeiro trimestre de 2026 com muitos indicadores acima das expectativas do mercado. Os balanços financeiros também foram marcados por aumentos de receita e gastos com IA (inteligência artificial).
Mesmo com resultados acima do esperado, as ações da Meta, Microsoft e Amazon caíram após a divulgação dos balanços. As ações de chips também caíram, com Nvidia, AMD e Broadcom caindo entre 1,6% e 4,4%.
Na temporada de resultados até agora, o Google desponta como vencedor, registrando trimestre de maior crescimento de sua unidade de computação em nuvem. A big tech foi a única a ver as ações subirem após a divulgação de resultados desta quarta.
A Meta reportou receita de US$ 56,31 bilhões no período, superando a estimativa média de US$ 55,45 bilhões compilada pela LSEG. A empresa espera receita entre US$ 58 bilhões e US$ 61 bilhões no segundo trimestre.
No entanto, as ações caíram mais de 6% após o fechamento do mercado devido a um aumento da previsão de gastos anuais de capital. A empresa de Mark Zuckerberg reforçou a decisão de investir bilhões em infraestrutura de IA, mesmo em meio à tentativa de corte de custos por meio de demissões.
A dona do Facebook agora projeta gastar de US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões em 2026, em comparação com a previsão anterior de US$ 115 bilhões a US$ 135 bilhões.
A empresa tem investido pesadamente em infraestrutura de IA e em altas remunerações para funcionários, como aqueles que trabalham no Meta Superintelligence Labs. A robusta plataforma de anúncios da empresa continua sendo seu motor de crescimento e tem ajudado a sustentar os investimentos.
A empresa também alertou para riscos, citando que questões regulatórias na União Europeia e nos Estados Unidos “podem impactar significativamente nossos negócios e resultados financeiros”, após críticas crescentes sobre a segurança de jovens nas redes sociais.
A Meta vem enfrentando milhares de processos judiciais que alegam que a empresa projetou suas plataformas para serem viciantes e prejudiciais a usuários jovens.
Em março, um julgamento histórico sobre vício em redes sociais em Los Angeles (EUA) condenou a Meta e o Google. Em outro processo, a empresa foi condenada a pagar US$ 375 milhões após ser acusada de enganar usuários sobre a segurança do Facebook e do Instagram e de permitir a exploração sexual infantil nessas plataformas.
GOOGLE: UNIDADE DE NUVEM CRESCE MAIS DO QUE NUNCA
A Alphabet, dona do Google, superou as estimativas do mercado para a receita e o lucro trimestrais, e registrou o melhor trimestre de crescimento para sua unidade. As ações da empresa subiram cerca de 4% nas negociações após o fechamento.
A receita total cresceu 22%, para US$ 109,9 bilhões no primeiro trimestre, em comparação com uma estimativa de US$ 107,2 bilhões, segundo dados da LSEG. O lucro operacional da unidade de nuvem triplicou para US$ 6,6 bilhões no período, ante US$ 2,2 bilhões no mesmo recorte do ano anterior.
Folha Mercado
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No comunicado sobre os resultados, a empresa atribuiu o crescimento ao aumento dos gastos com produtos e infraestrutura de IA empresarial, além de ganhos com o chatbot Gemini, que proporcionaram o “trimestre mais forte de todos os tempos” no que se refere a serviços de inteligência artificial para o consumidor, segundo o CEO Sundar Pichai.
Os resultados reforçam a posição da Alphabet como uma das principais beneficiárias dos gastos globais com IA. As ações da empresa superaram a maioria das big techs no último ano, apoiadas por sinais crescentes de que a integração com a inteligência artificial está impulsionando seus negócios principais, de busca e publicidade.
MICROSOFT: AZURE VAI BEM, MAS AÇÕES CAEM
A Microsoft reportou crescimento de vendas e lucros no primeiro trimestre do ano. Enquanto as vendas cresceram 18% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de US$ 82,9 bilhões no período, o lucro líquido cresceu 23% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 31,8 bilhões.
O CEO Satya Nadella disse que o negócio de IA da Microsoft ultrapassou uma taxa de receita anual de US$ 37 bilhões. “Estamos focados em entregar infraestrutura e soluções de nuvem e IA que capacitem cada empresa a maximizar seus resultados na era da computação agêntica”, afirmou.
O Azure, negócio de computação em nuvem da Microsoft, cresceu 40% em relação ao ano anterior. As ações, no entanto, caíram 2% diante do melhor desempenho da unidade de nuvem do rival Google.
A empresa elevou os investimentos no período em 49%, para US$ 31,9 bilhões, em comparação com a expectativa média de Wall Street de US$ 34,9 bilhões, segundo a Visible Alpha.
AMAZON: VAREJO E AWS CRESCEM
A Amazon também teve resultado acima das expectativas do mercado, impulsionado por forte investimento de empresas em produtos relacionados a ferramentas de IA.
A receita da AWS (Amazon Web Services), divisão de computação em nuvem da Amazon, aumentou 28%, para US$ 37,6 bilhões, em comparação com estimativa média do mercado de alta de 25,1%, conforme dados da LSEG. A receita líquida total do grupo somou US$ 181,5 bilhões.
Ainda assim, as ações da empresa caíram cerca de 1,7% após o fechamento.
A unidade de varejo registrou vendas de US$ 111,6 bilhões no período, alta de 12% em relação ao ano anterior e acima das expectativas. A empresa tem investido pesadamente na rede de entregas no mesmo dia.
As vendas de anúncios, uma área de grande crescimento para a Amazon, aumentaram 24% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 17,2 bilhões, também acima das estimativas.
Com informações Reuters e Financial Times
noticia por : UOL




