A eleição em São Paulo ganhou um nome “internacional”. O militante radical pró-Palestina Thiago Ávila, aliado da sueca Greta Thunberg numa das flotilhas que tentou furar o bloqueio naval israelense em Gaza, anunciou no domingo (26) sua candidatura a deputado federal pela Rede Sustentabilidade.
A notícia em si não surpreende. Afinal, Ávila é um ativista político profissional e já concorreu ao cargo em 2018 e 2022 — pelo PSOL do Distrito Federal, onde nasceu e vivia até pouco tempo. O problema é o endereço que ele escolheu a dedo para sediar o comitê eleitoral.
Sua base na nova cidade fica na Rua Aureliano Coutinho, em Higienópolis, bairro historicamente associado à comunidade judaica. Para quem conhece o histórico do candidato, um notório apoiador do Hezbollah e do Hamas, o local serve como uma declaração de intenções.
“É uma clara e abjeta provocação política”, denunciou o rabino e educador Micha Gamerman. Para a vereadora Cris Monteiro (NOVO), autora de um vídeo sobre o assunto que circula nas redes sociais, Ávila não faz do antissionismo uma mera bandeira. “Essa é exatamente a plataforma eleitoral dele”, afirma.
Do outro lado, Thiago Ávila adota a velha tática de se colocar como vítima de um suposto preconceito elitista. “Algumas pessoas vieram dizer que aqui não é lugar para gente como nós, para quem pensa diferente ou tem uma religião ou origem étnica diferente”, diz.
O brasiliense ainda vende a ideia de que o espaço — um misto de comitê de campanha, centro cultural e horta comunitária — é um ambiente de “diálogo” e “inclusão”. “A gente já pintou, limpou, reformou, plantou alimento. Outras pessoas trouxeram milho também. Porque a gente acredita que política também é cuidar do lugar onde vive, abrir portas. É cultivar, é construir comunidade”, afirma.
Homenagem a líder do Hezbollah
Thiago Ávila ficou conhecido por participar de missões da chamada “Flotilha da Liberdade”, organizadas para tentar romper o bloqueio de Gaza sob a justificativa de levar mantimentos para o povo palestino. Em mais de uma ocasião, ele foi detido e deportado pelo governo de Israel, a quem acusa de tortura durante sua última prisão, no final de abril.
Mas a militância de Ávila no Oriente Médio vai muito além do debate humanitário sobre a Palestina.
Em fevereiro de 2025, o brasiliense viajou a Beirute para participar do funeral de Hassan Nasrallah, ex-secretário-geral do Hezbollah, morto durante um bombardeio israelense. Durante a visita ao Líbano, ele publicou fotos e vídeos no mausoléu de Nasrallah e fez elogios públicos ao líder terrorista, chamando-o de “inspirador” e “mártir”.
No último mês de maio, foi a vez do Hamas oferecer condolências ao ativista brasileiro. Um dia após a morte de sua mãe, Teresa Regina de Ávila e Silva, o grupo sanguinário divulgou um comunicado oficial em que diz “valorizar enormemente a firmeza e determinação” do militante na defesa do povo palestino.
E o mais grave: segundo o jornal The Times of Israel, autoridades do país afirmam que Ávila é filiado à Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, organização acusada pelo Departamento do Tesouro dos EUA de “agir clandestinamente” em nome do Hamas.
Ou seja, estamos diante de um candidato a deputado federal cuja principal credencial é sua ligação com grupos que aparecem em listas de segurança globais e já promoveram ataques contra judeus mundo afora.
É uma ingenuidade, portanto, encarar o comitê em Higienópolis apenas como parte de uma “guerra narrativa”. Para a comunidade judaica do bairro, e mesmo seus vizinhos de outras religiões, o episódio não é só uma afronta simbólica, mas também um motivo concreto de preocupação com a própria segurança.
A Gazeta do Povo procurou Thiago D’Ávila para comentar o episódio. O espaço segue aberto caso ele queira se pronunciar.
noticia por : Gazeta do Povo





