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Cuiaba - MT / 17 de julho de 2026 - 16:40

Dívida da Geap com redes hospitalares trava atendimentos; empresa não reconhece valores

Hospitais e clínicas passaram a restringir o atendimento a beneficiários da Geap Saúde, operadora de planos voltada ao funcionalismo público, diante do aumento da inadimplência.

Uma das maiores redes hospitalares do país afirmou à coluna, sob condição de sigilo, que a divída supera R$ 220 milhões. A instituição, que tem alcance nacional, suspendeu novos atendimentos a clientes da operadora.

No Rio de Janeiro, o Grupo Pronto Baby, especializado em pediatria, também comunicou aos pacientes que deixará de receber beneficiários da Geap.

Procurada, a Geap diz que não reconhece a dívida nos valores informados à coluna e afirma que eventuais divergências financeiras devem ser analisadas à luz dos contratos, da documentação apresentada e dos serviços efetivamente prestados.

Sobre o Grupo Pronto Baby, a operadora afirma que o contrato está em revisão e que negocia a atualização das condições de remuneração para assegurar a continuidade da assistência.

Ainda de acordo com fontes do setor, a Geap teria ampliado o uso de glosas técnicas —contestação de cobranças apresentadas por hospitais— para retardar pagamentos e preservar caixa. Em um grande grupo hospitalar paulista, o índice de glosas teria alcançado 60% das contas apresentadas, percentual muito superior aos cerca de 5% considerados padrão no mercado.

A operadora afirma que as glosas decorrem de auditorias técnicas e da identificação de inconsistências documentais, contratuais ou assistenciais, e que os prestadores têm direito de contestar as decisões.

A carteira da Geap é composta majoritariamente por servidores públicos e aposentados, com elevada participação de idosos, grupo que depende de assistência contínua.

Em 2025, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) apontou a Geap como a operadora com o maior prejuízo do setor no primeiro trimestre, de R$ 174,9 milhões. No terceiro trimestre, o resultado negativo acumulado chegou a R$ 405,5 milhões, completando sete trimestres consecutivos no vermelho. A operadora também registrou sinistralidade de 99%, acima do patamar considerado sustentável pelo mercado.

A Geap afirma ainda que o crescimento da carteira exigiu a revisão de processos internos, o fortalecimento da auditoria e de mecanismos de controle de custos para garantir a sustentabilidade financeira da operadora. Acrescenta que eventuais suspensões de atendimento devem ser conduzidas com planejamento para reduzir os impactos aos beneficiários e diz manter o compromisso com a ampliação da rede credenciada, a qualidade assistencial e o diálogo com os prestadores.

com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS


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noticia por : UOL

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