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Cuiaba - MT / 19 de agosto de 2026 - 14:54

Governo recupera mais de 6.000 celulares roubados e cria manual para fiscalização em rodovias

O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que houve a recuperação de 6.052 celulares roubados ou furtados durante a Operação Última Chamada, realizada em 23 unidades da federação entre os dias 10 e 19 de agosto.

Em uma nova etapa, anunciada nesta quarta-feira (19), a Polícia Rodoviária Federal e as forças de segurança estaduais passarão a consultar a procedência de celulares durante abordagens em rodovias federais e estaduais.

Para isso, as forças de segurança terão acesso ao Banco Nacional de Celulares com Restrição, que reúne informações sobre aparelhos registrados como roubados ou furtados.

Com o acesso ao sistema, policiais poderão consultar, durante abordagens de rotina, se o IMEI (número único de identificação de cada aparelho) possui alguma restrição.

O agente poderá solicitar ao cidadão o número do IMEI, que pode ser consultado digitando *#06# no celular ou verificado fisicamente no próprio aparelho.

O diretor-geral da PRF, Antônio Fernando, afirmou que será possível cruzar informações sobre celulares com restrição com dados de propriedade de veículos dos Detrans.

“Cruzando esses dois dados, a Polícia Rodoviária Federal pode saber, por exemplo, que o proprietário do veículo tal está com celular tal que está tá roubado e faz abordagens mais assertivas”, disse.

A pasta afirma que a consulta ao IMEI não dá acesso ao conteúdo armazenado no celular. Segundo o governo, trata-se de um dado cadastral, comparável à identificação de uma pessoa ou à placa de um veículo.

Se a pessoa se recusar a oferecer o IMEI, ela terá que provar a origem do celular, conforme estabelece o protocolo.

Notificações e devolução de aparelhos

A Operação Celular Seguro é coordenada pelo Ministério da Justiça e realizada em parceria com os estados. Até o momento, 23 das 27 unidades da federação tiveram ações.

Roraima, Tocantins, Santa Catarina e Paraná não participaram. Segundo o ministério, Roraima ficou de fora por questões técnicas, enquanto os outros três estados não demonstraram interesse em participar.

Segundo dados do Ministério da Justiça, os estados já enviaram 33.606 notificações a pessoas identificadas utilizando aparelhos registrados como roubados ou furtados.

O sistema funciona a partir das informações incluídas no Banco Nacional de Celulares com Restrição. Quando a vítima registra o roubo ou furto, os dados do aparelho passam a integrar a base nacional.

Por meio de uma parceria entre o Ministério da Justiça, a Anatel e as operadoras de telefonia, é possível identificar quando um novo chip é inserido no aparelho e quem passou a utilizá-lo.

A partir dessas informações, o atual usuário recebe uma mensagem informando que o celular possui registro de roubo ou furto e orientando a entrega em uma delegacia.

A estratégia busca alcançar consumidores que possam ter adquirido, sem saber, celulares de origem ilícita.

Chico Lucas, secretário nacional de Segurança Pública, disse que no Amazonas e no Piauí, mais de 50% dos aparelhos notificados são devolvidos voluntariamente. Em outros estados, o percentual varia entre 20% e 30%.

Segundo a pasta, a devolução espontânea após a notificação pode evitar a responsabilização criminal por receptação.

“A notificação muda a natureza. Até então, as pessoas não tinham consciência da ilicitude. A partir do momento que elas recebem a mensagem, essa dúvida deixa de existir. Então, [quem não devolve] passa a ser receptador”, afirmou Chico Lucas.

As informações fornecidas por quem devolve os aparelhos, como o local onde o celular foi adquirido, também são utilizadas pelas forças de segurança para identificar estabelecimentos e fornecedores envolvidos na cadeia de receptação.

Segundo o governo, a estratégia busca atingir o mercado que sustenta financeiramente os roubos e furtos de celulares e, com isso, reduzir a demanda pelos aparelhos.

“Se a gente não fizer isso, a gente não vai reduzir os crimes de celulares e todos os efeitos perversos dessa cadeia criminosa continuarão acontecendo, porque o crime de celular repercute não só no objeto, mas nas fraudes, na ocorrência de latrocínios”, disse o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

No Brasil houve o registro de roubo e furto de 225.644 aparelhos no primeiro trimestre de 2025, já em 2026 esse número chegou a 215.589 celulares, redução de 4,5%.

Celulares em presídios

Em outra frente, o governo mantém operações para retirar celulares do sistema prisional e dificultar a comunicação de integrantes de organizações criminosas com pessoas fora das unidades.

Desde maio, cerca de 2.254 aparelhos foram retirados de presídios brasileiros por meio de ações como as operações Mute e Modo Avião, segundo o Ministério da Justiça.

noticia por : UOL

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