
Incêndios florestais forçam saída de 330 mil pessoas na França e Espanha
Cerca de 330 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e locais de hospedagem por causa dos incêndios florestais que atingem a França e a Espanha desde a última quarta-feira (22).
As chamas, alimentadas por altas temperaturas, ventos fortes e seca prolongada, já consumiram dezenas de milhares de hectares e mobilizam milhares de bombeiros e militares nos dois países.
Na França, os incêndios já queimaram 42 mil hectares, em uma das maiores áreas devastadas por fogo no país desde a Segunda Guerra Mundial.
Em mensagem nas redes sociais, o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir as áreas devastadas e afirmou que o governo francês permanecerá ao lado das vítimas “pelo tempo que for necessário”.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que a prioridade é salvar vidas e alertou que o avanço dos incêndios ainda depende da evolução dos ventos. Confira mais informações abaixo:
Situação na França
Na França, o cenário mais crítico é registrado no sudoeste do país, especialmente nos arredores de Gironde e Landes, onde o fogo avança em direção à região de Bordeaux.
Até o momento, julho registra temperaturas máximas médias de 32,2 °C nas regiões atingidas pelos incêndios. Segundo dados do Reuters Climate Monitor, a média está 7,3 °C acima da marca histórica para o mês entre 1961 e 1990.
Na noite de sábado (25), cerca de 55 mil pessoas foram evacuadas de vilarejos ao sul de Bordeaux, na região de Gironde. Com isso, o número de pessoas retiradas do sudoeste da França ultrapassou 220 mil, segundo informações divulgadas pela BBC.
O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, afirmou neste domingo (26) que o incêndio estava a cerca de 15 km dos arredores da região metropolitana da cidade e entre 25 km e 30 km do centro, mas descartou, por enquanto, a possibilidade de uma evacuação de Bordeaux.
Centro de ajuda para evacuados do incêndio florestal em Bordeaux, na França, em 25 de julho.
Manon Cruz/Reuters
As chamas já destruíram pelo menos 42 mil hectares — área equivalente a cerca de quatro vezes o território de Paris — e centenas de imóveis.
O governo francês mobilizou milhares de bombeiros, militares e aeronaves, incluindo um avião cargueiro A400M adaptado para lançar retardante de fogo. Ao todo, 1.500 militares foram deslocados para apoiar as saídas forçadas e proteger residências deixadas para trás.
Segundo a BBC, Macron deve convocar uma reunião de emergência com ministros diante da escalada dos incêndios, que já somam cerca de 30 focos ativos em todo o país e são considerados pelo governo uma crise sem precedentes.
“Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário” nas áreas mais afetadas, afirmou o presidente Emmanuel Macron em publicação neste sábado no X.
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Incêndios na Espanha
Integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME) da Espanha e bombeiros da região de Castela e Leão combatem um incêndio em uma área florestal próxima ao bairro residencial de La Atalaya, em El Tiemblo, a 80 km a oeste de Madri, em 25 de julho de 2026, em meio aos incêndios florestais que já consumiram até 25 mil hectares.
CESAR MANSO/AFP
Na Espanha, os maiores focos estão concentrados nos arredores de Madri, onde incêndios florestais que começaram separadamente acabaram se unindo.
Desde o início da crise, quase 60 mil pessoas já saíram das regiões de Madri e Ávila, enquanto outras 28 mil permanecem confinadas em suas casas, segundo o Ministério do Interior espanhol.
O governo espanhol decretou, pela primeira vez, estado de emergência nacional por causa dos incêndios florestais.
Bombeiro atua no combate a incêndio florestal que atinge a região de Castela e Leão, na vila de El Tiemblo, na Espanha, na sexta (24).
Violeta Santos Moura/Reuters
O governo regional de Madri informou que mais de 2 mil pessoas recebem atendimento em 14 centros de emergência.
A Unidade Militar de Emergências (UME) atua com cerca de 1.200 militares e 400 veículos no combate aos incêndios nas regiões de Madri, Ávila e Valência.
Além das equipes nacionais, a União Europeia enviou 11 aviões e helicópteros da frota europeia de combate a incêndios para apoiar França e Espanha, informou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
‘Horas difíceis estão por vir’
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez
EPA via BBC
Em visita ao posto de comando em Ávila, na manhã deste domingo (25), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a prioridade do governo é preservar vidas.
Apesar de avaliar que a última noite trouxe avanços no controle das chamas, ele alertou que o país ainda enfrenta “horas difíceis” e que a evolução dos ventos segue sendo um fator de preocupação para as equipes de combate ao fogo.
Sánchez também relacionou os incêndios à emergência climática. Segundo ele, Espanha e Portugal vêm sofrendo os efeitos do fenômeno por meio de eventos extremos, como incêndios florestais, tempestades e fortes nevascas.
“Toda a Península Ibérica está sofrendo os efeitos da emergência climática de uma forma muito específica”, afirmou em entrevista ao The Guardian.
Uma mulher corre enquanto um incêndio florestal se espalha pela província de Ávila, na Espanha
Reuters
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Fonte: G1

