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Cuiaba - MT / 18 de julho de 2026 - 1:28

Novo premiê do Reino Unido enfrenta o velho desafio econômico: como retomar crescimento?

Um após o outro, os primeiros-ministros recentes do Reino Unido prometeram revitalizar a economia do país. Um após o outro, o crescimento prometido lhes escapou.

Andy Burnham, que deve se tornar formalmente o mais novo primeiro-ministro na segunda-feira (20), chegou com sua própria versão dessa promessa: “Bom crescimento em cada código postal britânico”.

Seu plano? Transferir poder para autoridades locais para que possam tomar suas próprias decisões econômicas. Burnham prometeu promover “a maior mudança em nossas vidas na forma como o país é governado”.

Burnham não revelou os detalhes de sua agenda econômica. Mas suas prioridades estão emergindo em seus discursos e nas recomendações de assessores. O New York Times conversou com cinco economistas e estrategistas políticos que estão desempenhando um papel na formulação da visão econômica de Burnham, vários dos quais falaram sob condição de anonimato para discutir abertamente políticas que ainda não eram definitivas.

Junto com a chamada devolução de poder, Burnham disse que colocará mais serviços públicos e concessionárias sob controle público, enquanto enfrenta rapidamente o alto custo de vida.

Mas Burnham enfrentará os mesmos desafios econômicos que acometeram seus antecessores: um pesado fardo de dívida pública, inflação persistentemente alta e baixo crescimento de produtividade. Esses problemas são agravados pelos legados inevitáveis da decisão do país, há uma década, de deixar a União Europeia, que tem prejudicado a economia, e anos de investimento público insuficiente. Consumidores nervosos estão poupando muito, em vez de gastar.

Burnham enfrenta problemas econômicos formidáveis, mas no centro deles está o crescimento estagnado.

A economia britânica tem sido lenta desde a crise financeira de 2008. O produto interno bruto per capita é apenas 7% maior do que era no início de 2008, comparado com mais de 20% na década anterior à crise.

“O crescimento é o grande desafio que o Reino Unido enfrenta”, disse David Aikman, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Econômica e Social, um think-tank independente. Os problemas mais duradouros do país, como financiar a transição para energia limpa e apoiar uma população envelhecida, “pareceriam muito mais fáceis se tivéssemos um crescimento mais rápido”, acrescentou.

Muitos dos grandes problemas econômicos, como alta dívida e enormes demandas sobre os gastos públicos, não são exclusivos do Reino Unido. Mas Burnham está limitado por restrições de sua própria autoria —e de seu partido.

Cauteloso para não assustar compradores internacionais de títulos do governo britânico e elevar ainda mais os custos de empréstimos, ele prometeu seguir regras rígidas sobre dívida e gastos estabelecidas por Rachel Reeves, que ele deve substituir como chanceler do Tesouro nos próximos dias. Burnham também herdará um partido que promete não aumentar nenhum dos três maiores impostos do país, incluindo o imposto de renda.

Burnham chega ao cargo de primeiro-ministro após quase uma década como prefeito da Grande Manchester, no norte da Inglaterra. O cargo lhe deu poder sobre transporte, habitação, policiamento e desenvolvimento de habilidades por meio de educação e treinamento de adultos. Burnham destacou as virtudes do controle governamental local sobre o central como uma marca política e prometeu ampliar a devolução de poderes de Westminster para todo o país.

O Reino Unido é “extraordinariamente centralizado”, disse Diane Coyle, professora de políticas públicas na Universidade de Cambridge, que influenciou a formulação de políticas econômicas em Manchester durante a maior parte das últimas duas décadas.

O poder, especialmente sobre finanças, está concentrado em Londres, um nível de centralização notável pelos padrões internacionais. Os governos locais têm menos capacidade de arrecadar os fundos de que precisam do que países semelhantes, de acordo com dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A centralização levou a dois grandes problemas profundamente enraizados —baixo crescimento e prosperidade defasada na maior parte do país, e superaquecimento econômico em Londres e no sudeste, caracterizado por habitação inacessível. A produtividade de Londres é 30% maior que a média britânica, e tem sido assim nas últimas duas décadas.

Aqui, Manchester é instrutiva. A cidade, que foi uma potência industrial no século 19, sofreu durante a segunda metade do século passado em meio à rápida desindustrialização. Mas está protagonizando uma revitalização. A cidade se tornou um modelo de crescimento com quantidades impressionantes de investimento externo e ganhos de produtividade. A esperança de Burnham é que o ressurgimento de Manchester, cujas sementes foram plantadas antes de ele se tornar prefeito, possa ser replicado em todo o país.

As vantagens críticas da devolução, disse Coyle, é que as autoridades obtêm melhores informações sobre questões como quais habilidades as empresas locais precisam nos trabalhadores, e podem sincronizar melhor as políticas de educação e treinamento para atender a essas demandas.

A recomendação foi ecoada pela OCDE, que disse na quarta-feira (15) que, se o Reino Unido pudesse reduzir as lacunas na produtividade regional, poderia elevar o crescimento econômico geral. Políticas locais poderiam ser usadas para colocar mais jovens em empregos e melhorar o transporte, ambos grandes culpados pela desigualdade regional britânica.

Chegar lá será difícil. O Reino Unido é uma colcha de retalhos de autoridades locais, com fronteiras sobrepostas e responsabilidades variadas. Algumas controlam o policiamento. Outras, a coleta de lixo. À medida que o poder se centralizou em Londres, a capacidade de gerenciar a política econômica efetivamente se esvaiu de muitas partes do país.

O Reino Unido ficou “fragmentado demais e centralizado demais”, disse Neil Lee, professor de geografia econômica na London School of Economics. Agora há um consenso político mais amplo para tentar resolver isso, acrescentou.

O governo que está deixando o cargo disse que estava trabalhando em um plano para dar às autoridades locais mais controle sobre como gastam uma parcela dos impostos nacionais. Esses esforços estão em estágios iniciais, e resta ver como Burnham executará sua visão de devolução.

Várias de suas outras propostas também são de longo prazo por natureza. Burnham disse que apresentará um plano de 10 anos para reduzir o custo de água, habitação, energia e transporte, assumindo “maior controle público” dessas concessionárias e serviços. Dadas as restrições fiscais que enfrentará, isso provavelmente significa regulamentação mais forte e mais parcerias entre governo e empresas, não nacionalização generalizada.

noticia por : UOL

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