Anúncio

Cuiaba - MT / 27 de junho de 2026 - 23:44

Perto dos mil gols, Cristiano Ronaldo sobreviveu a tentativa de aborto

Com cinco Bolas de Ouro, títulos por Manchester United, Real Madrid, Juventus e seleção portuguesa, além de recordes individuais que o colocam entre os maiores jogadores da história, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro — o CR7 — ajudou a transformar o futebol. No entanto, essa possibilidade de um futebol sem o camisa 7 mais famoso do século esteve muito, muito perto de não acontecer.

Nascido em 5 de fevereiro de 1985, em Funchal, capital da Ilha da Madeira, em Portugal, o “robozão” passou a infância num cenário bem diferente do ambiente de fama e reconhecimento internacional em que vive atualmente.

Em meio à situação precária,a mãe de Cristiano, Maria Dolores Aveiro, chegou a tentar interromper a gravidez.

Na época, ela tinha 30 anos, já era mãe de três filhos e vivia em uma família com poucos recursos. Seu marido, José Dinis Aveiro, enfrentava problemas com alcoolismo que levavam muita instabilidade para dentro de casa.

Sem perspectiva de conseguir dar uma vida digna ao novo filho, Dolores chegou a procurar um médico, mas não conseguiu realizar o aborto. Também contou ter recorrido a métodos caseiros. Felizmente, sem resultado.

Após as tentativas, Dolores, decidiu que levaria a gravidez adiante. Ela ficou receosa de que suas tentativas de interromper a gravidez tivessem afetado o desenvolvimento do feto, mas o bebê nasceu perfeito. “Uma coisa que eu lembro foi quando o médico disse: ‘Esse bebê tem peso de jogador’. E eu pensei: ‘Será que ele vai ser um jogador?’”, contou ela numa entrevista à ESPN.

O nome do recém-nascido, Cristiano, foi sugerido por uma tia, irmã de Dolores, justamente por ele ter vindo ao mundo apesar das tentativas de aborto, um fato entendido pela família — devotamente católica — como um sinal de vontade superior. Já o nome “Ronaldo” foi escolhido pelo pai, admirador de Ronald Reagan.

Antes de se tornar um personagem global, Cristiano foi o quarto filho de uma casa pobre, em uma ilha distante dos grandes centros do futebol europeu.

Infância na Madeira

CR7 cresceu em Santo António, região humilde de Funchal. A mãe trabalhava como cozinheira e empregada de limpeza. O pai era jardineiro municipal e também atuava como roupeiro no Andorinha, clube local de futebol. 

A Ilha da Madeira tem uma relação particular com Portugal continental. É território português, mas está a centenas de quilômetros de Lisboa.

Para um menino que sonhava com futebol profissional, isso representava uma distância inimaginável. O caminho até os grandes clubes era mais difícil do que para uma criança criada perto dos centros esportivos do país.

O pai teve papel importante no início da ligação de Cristiano com a bola. Por trabalhar no Andorinha, aproximou o filho do clube. Cristiano começou ali, ainda criança. A relação com o pai, porém, também tinha marcas difíceis. José Dinis Aveiro enfrentou o alcoolismo e morreu em 2005, por complicações hepáticas, quando Cristiano tinha 20 anos e apenas começava a se consolidar no Manchester United.

Anos depois, Cristiano falou sobre a dor de não ter convivido plenamente com o pai. Segundo ele, os dois nunca tiveram uma conversa profunda. Ao mesmo tempo, Cristiano reconhece a importância dele em seus primeiros passos no futebol. 

Foco no futebol

A infância de Cristiano Ronaldo foi marcada por uma relação quase exclusiva com o futebol. Pessoas próximas relatam que ele se interessava pouco pelos estudos e muito pela bola.

O padrinho Fernão Barros Sousa, ligado ao Andorinha, contou que Cristiano já chamava a atenção desde cedo pela habilidade e pela competitividade.

Aos oito anos, entrou nas categorias de base do Andorinha. Depois, passou pelo Nacional da Madeira. Ali, seu talento começou a ficar mais evidente. Técnicos e conhecidos da época relatam que ele já tinha drible, velocidade e facilidade para marcar gols.

Ainda era impossível prever que se tornaria um dos maiores jogadores do mundo, mas já era claro que não era uma criança comum dentro de campo.

Fim da infância

A grande ruptura veio aos 12 anos, quando Cristiano deixou a Madeira para jogar nas categorias de base do Sporting, em Lisboa. A mudança era uma oportunidade rara, mas também significava sair de casa muito cedo. 

Cristiano contou em uma carta publicada anos depois que sua infância durou pouco. Segundo ele, o futebol lhe deu muitas coisas, mas também o tirou cedo de casa.

Em Lisboa, precisou lidar com saudade, solidão e adaptação. O sotaque madeirense virou motivo de piada entre colegas. A escola também não era prioridade para ele, e o foco no futebol aumentava cada vez mais.

A adaptação foi tão dura que Cristiano chegou a querer voltar para a Madeira, mas pessoas próximas o convenceram a continuar. Havia a percepção de que ele podia mudar o futuro da família, e essa pressão não era pequena para uma criança.

Nessa fase, a ambição de Cristiano ficou mais definida. Ele ouviu que era talentoso, mas pequeno demais. Em vez de aceitar o diagnóstico, decidiu trabalhar para compensar o que faltava fisicamente.

Com o tempo, essa busca se transformou em método: treino, repetição, força, alimentação, disciplina e controle permanente do próprio corpo.

Aos 15 anos, Cristiano enfrentou outro obstáculo. Foi diagnosticado com um problema cardíaco que poderia comprometer sua carreira. Passou por um procedimento cirúrgico delicado e voltou aos treinos pouco tempo depois — com a mesma intensidade de antes, como se o susto tivesse confirmado, e não abalado, sua determinação.

Carreira de sucesso

A estreia pelo Sporting, em 2002, foi suficiente para mudar sua vida. No primeiro jogo como profissional, jogou com tanta qualidade que o próprio adversário, o Manchester United de Sir Alex Ferguson, tratou de contratá-lo na sequência.

Cristiano Ronaldo tinha 17 anos quando desembarcou em Manchester usando a camisa 7 — número que pertencera a David Beckham e que, nas mãos do menino da Madeira, se tornaria sinônimo de algo diferente: obsessão, volume de trabalho e autossuperação constante.

Nos seis anos que passou no United, transformou-se num jogador dominante. Venceu três Premier Leagues consecutivas, uma Champions League e foi eleito melhor jogador do mundo pela primeira vez, em 2008. No ano seguinte, o Real Madrid pagou 94 milhões de euros por ele, um recorde mundial na época.

Em Madrid, Cristiano viveu a fase mais prolífica da carreira. Nos nove anos com a camisa branca, marcou 450 gols em 438 jogos, venceu quatro Champions Leagues e foi eleito melhor do mundo mais quatro vezes.

O rival de uma geração, Lionel Messi, tornou-se o espelho contra o qual cada conquista era medida. A rivalidade polarizou o futebol durante mais de uma década e, curiosamente, elevou os dois.

Depois vieram a Juventus, o retorno ao Manchester United e, a partir de 2023, o Al-Nassr, na Arábia Saudita — uma escolha que gerou debate, mas que permitiu a Cristiano Ronaldo se aproximar da marca de mil gols. Pela seleção portuguesa, ele tornou-se o maior artilheiro da história das Copas do Mundo e da Eurocopa, além de recordista absoluto em gols por seleções nacionais.

Aquele menino que Dolores quase não trouxe ao mundo acabou se tornando uma inspiração para milhões de pessoas ao redor do planeta.

noticia por : Gazeta do Povo

LEIA MAIS