Luisa González, ex-candidata de esquerda à Presidência do Equador, foi presa pela polícia nesta quinta-feira (22). Autoridades do país a investigavam desde janeiro por um suposto financiamento irregular procedente da Venezuela à sua campanha em 2023, quando Daniel Noboa foi eleito.
González, de 48 anos, pertence ao movimento político Revolução Cidadã, alinhado ao ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), que foi inabilitado de participar nas eleições para prefeitos e governadores que serão realizadas em poucas semanas, em novembro.
“Prenderam Luisa González. Já chega!”, escreveu Correa na rede social X. Ele é considerado foragido da Justiça equatoriana, condenado por corrupção. O ex-mandatário vive na Bélgica desde que deixou o cargo.
A própria González, no X, disse que a acusação contra ela é “absurda”.
O Ministério Público afirmou que nesta quinta-feira apresentará acusações contra três pessoas “investigadas por sua suposta participação no delito de lavagem de ativos”. A Promotoria divulgou no X apenas as iniciais dos detidos, entre elas L.M.G.A., letras que coincidem com o nome completo de González.
“A entidade investiga supostas irregularidades no financiamento político e no gasto eleitoral em publicidade durante a campanha presidencial de 2023, devido a inconsistências nas contribuições e na origem lícita dos recursos”, disse também o Ministério Público, sem explicar se essa é a mesma investigação iniciada em janeiro ou uma nova.
Nas eleições daquele ano, Noboa foi eleito no segundo turno com 52% dos votos, enquanto González teve 48%.
Em janeiro, as autoridades fizeram uma busca na residência da ex-candidata. Na ocasião, ela negou ter recebido dinheiro de origem venezuelana.
Gabriela Rivadeneira, presidente do partido Revolução Cidadã, pediu a libertação de González. “Luisa González foi detida pelo governo de Daniel Noboa Azin. Exigimos saber seu paradeiro e sua liberdade imediata”, afirmou.
Segundo Rivadeneira, a detenção decorre de “um caso já julgado” pelo Tribunal de Contencioso Eleitoral, que teria sido resolvido com o pagamento de uma multa superior a US$ 6.000.
A polícia apenas informou em seu canal do WhatsApp que a ex-candidato “foi detida”, sem especificar os motivos.
“Denunciamos este ato arbitrário, o sequestro de um líder político neste país. Por isso, nos mobilizaremos hoje e quantas vezes forem necessárias em resposta”, afirmou Rivadeneira.
Neste ano, González tentou registrar sua candidatura para a prefeitura da cidade de Manabí, histórico reduto da Revolução Cidadã, mas ela foi negada em setembro pelo Tribunal Contencioso Eleitoral após uma objeção apresentada pelo partido governista ADN e sua aliança de direita, o partido Creo.
A Revolução Cidadã, o maior partido de oposição no Equador, tem denunciado obstruções do governo para participar das eleições de novembro. A disputa começou em março, quando o grupo foi inabilitado por nove meses devido a uma investigação do Ministério Público por suposto crime de lavagem de ativos.
Posteriormente, a autoridade eleitoral decidiu antecipar para novembro as eleições locais que deveriam ser realizadas no próximo ano, o que impediu a Revolução Cidadã de registrar seus candidatos, já que a sanção seguia em vigor.
O correísmo optou por buscar apoio em outros partidos. No entanto, como ocorreu com González, nem todas as candidaturas foram registradas devido a denúncias apresentadas à autoridade eleitoral.



